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19/Mar/2026

Açúcar: futuros avançam acompanhando petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta quarta-feira (18/03) em forte alta na Bolsa de Nova York, alcançando o maior nível em cerca de um mês e meio. O contrato com vencimento em maio avançou 35 pontos, ou 2,42%, e fechou a 14,80 centavos de dólar por libra-peso. O principal vetor de sustentação foi o mercado de energia, com destaque para a valorização da gasolina, que atingiu máximas de três anos e meio. Esse movimento tende a elevar a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis, incentivando usinas brasileiras a direcionarem maior parcela da cana-de-açúcar para a produção de biocombustível na safra 2026/27.

Esse possível redirecionamento do mix produtivo reduz a disponibilidade global de açúcar, oferecendo suporte adicional às cotações internacionais. A valorização do petróleo também reforça esse cenário, com o Brent operando em níveis elevados, refletindo riscos geopolíticos e prêmios associados ao transporte marítimo. Além do fator energético, o mercado acompanha pressões logísticas e custos de frete, que permanecem elevados em função das tensões no Oriente Médio. Esse ambiente contribui para sustentar o viés altista no curto prazo.

Por outro lado, fundamentos de oferta continuam atuando como limitadores de ganhos mais expressivos. A produção de açúcar na Índia segue em expansão, com volume de 26,2 milhões de toneladas até meados de março, avanço de 10,5% em relação ao ciclo anterior. No Brasil, projeções indicam processamento relevante de cana no Centro-Sul, com mix direcionado majoritariamente ao etanol, reforçando a influência do setor energético sobre a formação de preços do açúcar. No campo macroeconômico, a valorização do dólar frente ao real também influencia o mercado, ao estimular vendas por parte das usinas brasileiras, o que tende a moderar movimentos mais intensos de alta.