19/Mar/2026
A perspectiva de produção recorde de etanol na safra 2026/27 do Centro-Sul deve intensificar a necessidade de expansão do consumo doméstico, levando o setor a reforçar estratégias comerciais e buscar maior competitividade frente à gasolina. A produção total de etanol na região é estimada entre 37 bilhões e 38 bilhões de litros, podendo elevar a oferta nacional para mais de 40 bilhões de litros quando consideradas as Regiões Norte e Nordeste. O volume representa acréscimo aproximado de 4 bilhões de litros em relação ao ciclo anterior. Diante desse cenário, agentes do setor avaliam que será necessário ampliar a demanda, especialmente do etanol hidratado, que concorre diretamente com a gasolina nas bombas. A estratégia envolve ações de mercado e iniciativas para elevar o consumo, além da articulação para aumento da mistura de etanol anidro à gasolina nos próximos anos.
As projeções indicam crescimento do consumo no ciclo Otto em 2026, com aumento entre 1,6 bilhão e 1,9 bilhão de litros em gasolina equivalente. Caso esse avanço seja capturado majoritariamente pelo etanol hidratado, o incremento pode alcançar até 2,3 bilhões de litros. A expectativa é de aumento da participação do hidratado na frota flex, podendo atingir 31,1%, o que resultaria em consumo total de aproximadamente 24,3 bilhões de litros. Em um cenário mais otimista, caso o biocombustível retome níveis históricos de participação, o consumo adicional pode chegar a até 8 bilhões de litros. A competitividade frente à gasolina será determinante para esse movimento. Estimativas indicam que a relação de preços entre etanol hidratado e gasolina deve se manter entre 64% e 65% nos postos de São Paulo, parâmetro considerado referência para o mercado nacional. No entanto, lideranças do setor destacam a necessidade de ampliar a competitividade em outros Estados, onde a participação do etanol ainda é reduzida.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, o biocombustível representou apenas 2,3% das vendas do ciclo Otto em 2025, bem abaixo da média nacional. O avanço da oferta também é sustentado pelo crescimento da produção de etanol de milho, que já responde por parcela relevante do volume total e tem ampliado a disponibilidade do biocombustível em diferentes regiões do País. Além do mercado interno, o setor avalia oportunidades de exportação, embora a prioridade seja absorver o aumento da produção doméstica. No médio prazo, também ganha relevância a possibilidade de elevação da mistura de etanol anidro na gasolina, atualmente em 30%, com potencial de atingir até 35%, conforme previsto na legislação. O equilíbrio entre oferta e demanda dependerá, portanto, da capacidade do setor em garantir competitividade nas bombas e ampliar a penetração do etanol no consumo de combustíveis no Brasil. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.