19/Mar/2026
A suspensão de leilões de diesel e gasolina da Petrobras para entrega em abril amplia as preocupações com o abastecimento no mercado brasileiro de combustíveis, em um contexto de elevação dos preços internacionais e redução no volume de importações. A interrupção das negociações ocorre em meio a dificuldades logísticas associadas ao bloqueio de navio com derivados, o que comprometeu parte da oferta prevista. Antes da suspensão, os leilões realizados indicaram preços significativamente mais elevados, chegando a níveis até 75% superiores aos praticados nas refinarias. O cenário atual indica redução relevante nas importações programadas para abril, com volumes cerca de 70% inferiores ao padrão habitual para o período.
A recomposição dessa oferta depende de decisões a serem tomadas no curto prazo, com possibilidade de impactos diretos sobre a disponibilidade de combustíveis no mercado interno. Além da menor entrada de produto importado, agentes do setor apontam restrições na distribuição, com relatos de priorização de abastecimento por parte de grandes distribuidoras para suas próprias redes, o que reduz a oferta disponível para segmentos independentes e contribui para desorganização do mercado. No ambiente externo, a valorização do petróleo intensifica as pressões. A cotação do Brent avançou de US$ 59,00 por barril em janeiro para níveis acima de US$ 100,00 por barril, sustentada por tensões geopolíticas, operando recentemente próxima de US$ 108,00 por barril.
A defasagem entre os preços internos e a paridade de importação permanece elevada, estimada em 54% para o diesel e 48% para a gasolina, o que reforça a necessidade de ajustes nos preços domésticos para viabilizar maior entrada de produto importado e equilibrar o abastecimento. Diante desse quadro, a expectativa é de que reajustes mais expressivos possam ocorrer, como forma de estimular a oferta e reduzir o risco de desabastecimento, em um cenário que também aumenta a insatisfação de transportadores e eleva a possibilidade de mobilizações no setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.