18/Mar/2026
A ampliação da mistura de etanol na gasolina é apontada como um fator capaz de reduzir o preço do combustível ao consumidor e diminuir a dependência de importações, em um cenário de volatilidade no mercado internacional de petróleo. A estratégia ganha relevância diante do potencial de aumento da oferta doméstica de biocombustível e da capacidade de resposta do setor sucroenergético. O etanol apresenta custo médio inferior ao da gasolina e contribui para elevar a octanagem da mistura, o que favorece a formação de preços mais competitivos. Nesse contexto, a elevação da participação do biocombustível na gasolina tende a gerar impacto direto sobre os preços internos, além de reduzir a necessidade de importação do derivado fóssil, com reflexos positivos sobre a balança comercial. O debate ocorre em paralelo às projeções de crescimento da produção de etanol na safra 2026/27.
Estimativas indicam expansão de aproximadamente 4 bilhões de litros na oferta, sustentada tanto por uma maior destinação de cana para a produção de etanol quanto pela ampliação da produção a partir do milho. Esse aumento reforça a capacidade de atendimento a uma eventual elevação da mistura, atualmente em 30%, com limite legal de até 35%. A maior disponibilidade do biocombustível amplia seu papel como mecanismo de proteção ao consumidor em momentos de alta nos preços do petróleo. Em cenários de choque externo, o etanol tende a atuar como substituto competitivo, contribuindo para mitigar a transmissão da volatilidade internacional para os preços domésticos dos combustíveis. Essa dinâmica é resultado de uma estrutura consolidada ao longo de décadas, que posiciona o Brasil entre os poucos países com alternativa viável à gasolina em larga escala.
A presença do etanol hidratado e a ampla frota de veículos flex conferem flexibilidade ao mercado interno, permitindo ajustes mais rápidos diante de variações nos preços relativos entre combustíveis. A eventual elevação da mistura depende de decisão do governo federal, que avalia os aspectos técnicos e de abastecimento. O setor produtivo tem contribuído com informações para subsidiar a análise, destacando a capacidade de suprimento sem riscos de desabastecimento. Paralelamente, iniciativas de estímulo ao consumo seguem em andamento, com foco em ampliar o uso do etanol pelos consumidores. A estratégia inclui ações de caráter educativo para reforçar os benefícios econômicos e operacionais do biocombustível, além de incentivar sua adoção em veículos flex. O conjunto de fatores indica fortalecimento do papel do etanol na matriz energética brasileira, com potencial de reduzir custos ao consumidor, melhorar o equilíbrio comercial e aumentar a resiliência do mercado interno frente a choques externos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.