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17/Mar/2026

Açúcar: preços pressionados pela fraca demanda

O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (Icumsa 130-180) apresenta leve recuo nos últimos sete dias. Após iniciar o período em alta moderada, as cotações passaram a registrar quedas nos dias seguintes, refletindo um movimento de ajustes no mercado físico. Na sexta-feira (13/03), o Indicador fechou a R$ 97,24 por saca de 50 Kg, com alta de 1,51% frente ao dia anterior, recuperando parte das perdas observadas ao longo da semana. O período também foi marcado por menor volume de negociação, indicando postura mais cautelosa dos agentes no mercado spot. Nos últimos sete dias, o Indicador tem média de R$ 97,43 por saca de 50 Kg, abaixo do semana anterior (R$ 98,00 por saca de 50 Kg), representando uma retração de aproximadamente 0,6%.

Ao longo da semana, os preços oscilaram entre R$ 95,79 e R$ 98,52 por saca de 50 Kg, refletindo um mercado ainda em processo de ajuste de preços no curto prazo, com negociações pontuais e agentes acompanhando as condições de oferta e demanda no mercado doméstico. No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã refletiu nos preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York, que permaneceram em patamares mais elevados. O contrato Maio/2026 do açúcar demerara na ICE Futures está cotado a 14,37 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,91% nos últimos sete dias. A intensificação do conflito provocou uma diminuição drástica no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e gerou uma escalada no preço do petróleo. Antes do início do conflito, em fevereiro, o petróleo Brent era negociado em torno de US$ 72,00 por barril, passando para US$ 103,00 por barril na sexta-feira (13/03).

A valorização expressiva do combustível fóssil, caso se mantenha, pode impactar o mix de produção das usinas brasileiras, o que, por sua vez, terá impacto global, tendo em vista que o País é o maior produtor mundial de açúcar. Com a gasolina mais cara no mercado interno brasileiro, o etanol tende a ganhar competitividade, levando as usinas a direcionar maior volume de cana para a produção do biocombustível. Por outro lado, caso o conflito se prolongue, os problemas logísticos para o escoamento do açúcar podem se intensificar. Distâncias maiores, além do aumento nos custos de frete e de seguro, tendem a dificultar o transporte do produto. O Oriente Médio é um importante destino do açúcar brasileiro. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os países da região que vêm sendo mais afetados pelo conflito (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Israel, Iraque e Omã) importaram mais de 5 milhões de toneladas de açúcar do Brasil em 2025, volume que corresponde a 15,05% de toda a exportação brasileira do produto.

Parte desse açúcar poderá permanecer retida em armazéns nas regiões produtoras, aguardando condições mais seguras para o embarque. No horizonte de mais longo prazo, porém, as projeções de superávit na produção mundial de açúcar na safra 2025/26 tendem a limitar avanços mais significativos nos preços. A Organização Internacional do Açúcar (OIA) prevê superávit de 1,22 milhão de toneladas. As consultorias Czarnikow e StoneX estimam excedente global entre 2,9 milhões e 3,4 milhões de toneladas. Em São Paulo, no atacado, o Indicador de Cristal Empacotado está cotado a R$ 12,65 por saca de 5 Kg, queda de 0,45% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,94 por saca de 1 Kg, baixa de 1,33% no mesmo período. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.