17/Mar/2026
As ações da Raízen voltaram a ser classificadas como penny stock após permanecerem abaixo de R$ 1 por 28 pregões consecutivos, situação que coloca o papel novamente no radar de sanções da B3. Na semana passada, a cotação atingiu mínima histórica de R$ 0,45, aprofundando a perda acumulada no ano. Pelas regras da bolsa brasileira em vigor desde 2015, empresas cujas ações permanecem abaixo de R$ 1 por 30 sessões consecutivas são notificadas e precisam apresentar um plano para recompor a cotação. Caso não adotem medidas para reenquadramento, podem ser submetidas a sanções, incluindo a realização de grupamento de ações ou outras medidas para adequação às normas do mercado. O desempenho negativo ocorre em meio ao processo de recuperação extrajudicial solicitado pela companhia, que busca renegociar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas. A deterioração do valor das ações reflete a combinação de elevado endividamento, incertezas sobre a reestruturação financeira e preocupações com a governança corporativa.
No início de 2026, os papéis chegaram a apresentar recuperação temporária, alcançando R$ 1,08 no fim de janeiro, em meio a expectativas de acordo entre os acionistas para estabilizar a situação financeira da empresa. No entanto, a falta de avanços concretos nas negociações levou a nova queda das cotações, resultando em recuo acumulado de 44,44% no ano, o maior entre os ativos do Ibovespa. O processo de reestruturação financeira inclui a renegociação das obrigações com credores e a possibilidade de conversão de dívida em ações combinada a um aumento de capital estimado em cerca de R$ 4 bilhões. Nesse cenário, projeções de mercado indicam potencial diluição significativa da participação de acionistas minoritários. O quadro financeiro da empresa é agravado pelo elevado nível de alavancagem, estimado em 5,3 vezes, além de prejuízo expressivo divulgado recentemente, impactado principalmente por baixas contábeis relacionadas à reavaliação de ativos.
Paralelamente, agências de classificação de risco reduziram as notas de crédito da companhia, citando o aumento da probabilidade de reestruturação financeira. No contexto das negociações com credores e acionistas, o plano atual prevê aporte de R$ 3,5 bilhões por parte da Shell e R$ 500 milhões via Aguassanta, estrutura ligada ao investidor Rubens Ometto. A Cosan, principal acionista da companhia, enfrenta simultaneamente seu próprio processo de reorganização financeira, o que limita sua capacidade de realizar aportes adicionais relevantes. Apesar do cenário de elevada incerteza, avaliações de mercado indicam que a capacidade operacional da empresa permanece relevante e geradora de caixa. Entretanto, o desfecho dependerá da adesão dos credores ao plano de reestruturação e da implementação de medidas estruturais capazes de reduzir o nível de endividamento e restaurar a confiança do mercado. Fonte: Broadcast Agro.