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13/Mar/2026

Cana: insumos devem pressionar margens de usinas

Segundo a Datagro, as margens das usinas sucroenergéticas do Brasil podem sofrer pressão na safra 2026/27 em função da expectativa de aumento nos custos de diesel e fertilizantes. A consultoria trabalha com dois cenários para a próxima safra. O primeiro considera condições de mercado sem agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O segundo incorpora os efeitos da escalada do conflito sobre os mercados de energia e de insumos agrícolas, com impacto direto sobre os custos de produção do setor. No caso do diesel, insumo essencial para operações agrícolas e logísticas da cana-de-açúcar, as projeções indicam preço entre R$ 5,53 e R$ 5,60 por litro ao distribuidor no cenário base. Em um ambiente de maior pressão internacional sobre o petróleo, os valores poderiam subir para uma faixa de R$ 6,62 a R$ 6,67 por litro.

O combustível influencia diretamente diversas etapas da cadeia produtiva, desde a formação do canavial e o manejo das lavouras até as operações de corte, transbordo e transporte. Nessas atividades, o custo operacional poderia subir de cerca de R$ 48,8 por tonelada no cenário base para até R$ 58 por tonelada caso as cotações do diesel avancem de forma mais intensa. Os fertilizantes também aparecem como fator relevante de pressão sobre os custos. Aproximadamente 40% da ureia comercializada globalmente passa pela região do Golfo, o que torna o mercado sensível a eventuais tensões geopolíticas no Oriente Médio. Em algumas regiões, os preços do produto já registraram alta próxima de 30%. No mercado brasileiro, as estimativas indicam aumento de 23,4% para a ureia, refletindo tanto o encarecimento do fertilizante quanto do gás natural utilizado em sua produção.

Mesmo com o aumento dos custos, a consultoria projeta melhora técnica para a safra 2026/27. A produtividade média da cana-de-açúcar deve alcançar 77,9 toneladas por hectare, crescimento de 3,8%, enquanto o teor de Açúcar Total Recuperável deve subir de 138,1 para 138,7 kg por tonelada de cana. Esse avanço tende a contribuir para diluição parcial dos custos, com o custo por quilo de ATR recuando de R$ 1,88 para R$ 1,79. Ainda assim, a receita do setor também enfrenta pressão. As estimativas indicam queda de 13,6% no preço do ATR, influenciada pela fraqueza das cotações do açúcar no mercado internacional e pela expansão da oferta de etanol no Brasil, impulsionada pelo crescimento da produção de etanol de milho.

A produção de etanol de milho no País pode avançar de cerca de 9 bilhões para aproximadamente 12 bilhões de litros, ampliando a oferta doméstica de biocombustíveis e aumentando a concorrência no mercado energético. No campo, o custo de formação do canavial deve registrar elevação moderada de aproximadamente 1,47% no cenário base, com possibilidade de avanço adicional caso os preços de diesel e fertilizantes se mantenham elevados. Considerando um mix de 55% de cana própria e 45% fornecida por terceiros, o custo médio da matéria-prima é estimado em cerca de R$ 182,5 por tonelada no cenário base e pode alcançar R$ 189,9 por tonelada no cenário com impacto mais intenso do conflito internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.