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13/Mar/2026

Raízen é o maior caso de recuperação extrajudicial

Com uma dívida líquida de R$ 65,14 bilhões, a Raízen passa a ser o maior caso no País de reestruturação extrajudicial, no qual um plano é acordado por 50% mais 1 dos credores e homologado por um juiz. Até a apresentação do pedido da empresa de energia e renováveis do grupo Cosan, o ranking era liderado pela InterCement, empresa de cimentos do grupo Mover, que também renegociou seu passivo, somando dívidas de R$ 13,5 bilhões. Considerando as reestruturações de dívida feitas por meio de processos de recuperação judicial, a Raízen empata com a primeira vez em que a Oi foi à Justiça para se reestruturar, em 2016, alegando dívidas de R$ 65 bilhões. Em 2023, a Oi voltou a pedir recuperação judicial, meses após encerrar o primeiro processo, com um passivo de R$ 43,7 bilhões. Por enquanto, é a Odebrecht que lidera o ranking das maiores recuperações judiciais do Brasil, somando dívidas de perto de R$ 100 bilhões.

Para além dos números, a reestruturação da dívida da Raízen demonstra o efeito do juro elevado sobre o passivo das empresas em contrapartida à capacidade de geração de caixa. O Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre) nota que o volume médio de dívidas que vêm sendo apresentado para reestruturação por meio de recuperação extrajudicial tem aumentado, e em 2026 mais casos devem surgir, não necessariamente de mesmo montante de Raízen. O pano de fundo é, em sua base, o fato de que as companhias sempre têm problemas de gestão, mas este é um momento que, particularmente, percebe-se um número elevado de empresas que não estão dando conta de pagar suas dívidas no curto prazo e precisam alongar prazos. A guerra no Oriente Médio aumenta a pressão sobre empresas, em consequência da elevação nos preços de muitos insumos.

A boa notícia é que pouco mais de 20 anos após a recuperação extrajudicial passar a constar em lei, com normas previstas para resolver problemas financeiros de empresas, o instrumento se mostra como uma alternativa de fato. Até 2021, não se podia afirmar que o instituto da recuperação extrajudicial cumpria seu papel. A Raízen entregou à Justiça seu pedido de recuperação extrajudicial no dia 10 de março e, conforme o documento apresentado, as dívidas somadas das companhias do grupo chegam a R$ 98,6 bilhões. No entanto, a companhia, ao informar o mercado sobre o passivo a ser renegociado, citou R$ 65,14 bilhões, já que, para efeito de quórum de aprovação e para votação de qualquer plano, as companhias do grupo ficam de fora, por serem partes interessadas. Mas, trata-se de um montante que será tratado dentro do plano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.