13/Mar/2026
Segundo a Maersk, o desenvolvimento de combustíveis à base de etanol para o transporte marítimo apresenta potencial para abrir um novo mercado para o setor sucroenergético do Brasil. A expansão desse segmento depende, contudo, de avanços no ambiente regulatório e de investimentos em infraestrutura portuária capazes de viabilizar o abastecimento e a logística desse combustível no sistema de navegação.
A eventual abertura desse mercado tende a alterar a dinâmica atual do debate global sobre a oferta de biocombustíveis. Com a inclusão da navegação marítima como nova fonte relevante de demanda, o foco pode migrar de discussões sobre disponibilidade de produto para a capacidade de atendimento a um mercado ampliado, mantendo o cumprimento de critérios rigorosos de sustentabilidade.
A crescente demanda internacional por combustíveis de menor intensidade de carbono também amplia a atenção para riscos ambientais e para a necessidade de credibilidade nos sistemas de certificação. Nesse contexto, a expansão do uso de etanol no transporte marítimo exige mecanismos robustos de comprovação de sustentabilidade, capazes de evitar práticas associadas a greenwashing e garantir transparência nas cadeias produtivas.
O Brasil participa das discussões técnicas internacionais sobre o uso do etanol como combustível marítimo e possui condições estruturais para assumir papel relevante na oferta global de combustíveis renováveis para navegação. O País apresenta capacidade produtiva consolidada e experiência em sistemas de certificação, fatores considerados relevantes para atender às exigências ambientais desse mercado emergente.
Do ponto de vista tecnológico, os testes para utilização de etanol em embarcações já foram realizados e demonstraram viabilidade operacional. A tecnologia naval necessária para esse tipo de combustível encontra-se disponível, com resultados considerados satisfatórios em avaliações técnicas que incluíram o uso de etanol produzido no Brasil.
Apesar dos avanços tecnológicos, o principal desafio para o desenvolvimento desse mercado está na criação de um ambiente regulatório adequado e na expansão da infraestrutura necessária para armazenamento, abastecimento e logística portuária. No campo energético, as soluções técnicas já se encontram relativamente estruturadas, enquanto a etapa de infraestrutura e regulamentação ainda demanda evolução.
Há iniciativas no âmbito do governo federal voltadas à estruturação desse novo segmento. A formação de um mercado doméstico de combustíveis marítimos renováveis é considerada estratégica para reduzir riscos regulatórios e ampliar a previsibilidade para investimentos, além de possibilitar o desenvolvimento inicial da demanda utilizando a extensa costa brasileira antes da expansão para rotas internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.