12/Mar/2026
A escalada dos preços do petróleo acima de US$ 100 por barril passou a sustentar as cotações de etanol no mercado doméstico e de açúcar no mercado internacional, diante da expectativa de possível reajuste nos preços da gasolina pela Petrobras. O movimento ocorre em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o que elevou a volatilidade no mercado global de energia.
Analistas avaliam que o choque decorrente do conflito pode impedir uma queda mais acentuada dos preços do etanol e do açúcar nos próximos meses, contrariando expectativas iniciais de recuo das cotações com o avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil. No mercado interno, os preços do etanol voltaram a subir após recuo registrado em fevereiro, quando predominava a expectativa de antecipação da moagem da cana. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada para o etanol hidratado comercializado pelas usinas do estado de São Paulo, sem impostos, registrou alta de 3,13% na semana de 2 a 6 de março, alcançando R$ 2,9352 por litro.
No mercado internacional, os contratos de açúcar demerara com vencimento em maio negociados na Bolsa de Nova York, avançaram 3,48%, para 14,59 centavos de dólar por libra-peso. Apesar da reação das cotações, analistas indicam que ainda há elevada incerteza sobre os impactos de médio e longo prazos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados de energia e biocombustíveis. Um dos principais pontos de atenção é a eventual decisão da Petrobras sobre reajustes na gasolina no mercado interno.
Estimativas do mercado indicam que, caso o petróleo ao redor de US$ 100 por barril fosse integralmente repassado ao mercado doméstico, o preço da gasolina A às distribuidoras poderia subir cerca de R$ 1,00 por litro. Nesse cenário, o preço médio do etanol hidratado na safra 2026/27 poderia registrar aumento próximo de R$ 0,50 por litro. Projeções também indicam que o etanol tende a manter relação de preço equivalente a cerca de 64% a 65% da gasolina ao longo da próxima safra, patamar considerado necessário para preservar a competitividade do biocombustível nas bombas.
No lado da oferta, as estimativas indicam expansão significativa da produção. As usinas de cana-de-açúcar devem elevar a produção de etanol em aproximadamente 4 bilhões de litros em relação à safra 2025/26, enquanto as unidades produtoras de etanol de milho podem ampliar a produção em cerca de 1,7 bilhão de litros adicionais. No início de fevereiro, os preços do etanol comercializado pelas usinas na região de Ribeirão Preto recuaram de R$ 3,75 por litro para R$ 3,45, refletindo expectativas de aumento da oferta. Nos últimos dias, entretanto, as cotações voltaram para cerca de R$ 3,60 por litro, acompanhando a elevação da percepção de risco associada ao conflito no Oriente Médio, embora o ambiente de incerteza tenha reduzido o volume de negócios.
Mesmo com o suporte recente das cotações do petróleo, analistas avaliam que a tendência predominante para o etanol ainda é de recuo na primeira metade da safra, diante da perspectiva de oferta recorde do biocombustível, com destaque para a expansão da produção de etanol de milho, estimada em cerca de 2 bilhões de litros adicionais. No mercado de açúcar, a evolução dos preços tende a depender principalmente do tamanho da safra de cana 2026/27 no Centro-Sul do Brasil e da definição do mix de produção das usinas. Caso o etanol apresente maior rentabilidade relativa, a tendência é de redução da parcela da cana destinada à produção de açúcar.
O cenário permanece altamente volátil, refletindo a evolução do conflito geopolítico e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo. Durante o pregão recente, os contratos futuros chegaram a superar US$ 120 por barril, antes de recuar para abaixo de US$ 100 após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando possível desescalada das hostilidades. Mesmo com eventuais oscilações no curto prazo, analistas avaliam que o petróleo tende a incorporar um prêmio de risco mais elevado. Há cerca de um mês, o tipo Brent crude oil era negociado próximo de US$ 70 por barril. Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.