12/Mar/2026
O mercado brasileiro de etanol pode registrar novas pressões de alta caso ocorra reajuste nos preços da gasolina nas refinarias da Petrobras. Historicamente, aumentos no combustível fóssil tendem a influenciar as cotações do etanol hidratado, utilizado diretamente em veículos flex, e do etanol anidro, misturado à gasolina. A relação ocorre porque os dois combustíveis competem diretamente nas bombas. Alterações no preço da gasolina costumam ser repassadas ao mercado de etanol, com variações que podem superar proporcionalmente o ajuste do derivado de petróleo.
Estimativas de analistas indicam que, em um cenário hipotético de elevação de 5% na gasolina, os preços do etanol nas usinas poderiam registrar alta entre 7% e 8%, refletindo a dinâmica de substituição entre os combustíveis. Apesar dessa possibilidade, o mercado não projeta reajuste imediato. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou recentemente que não há previsão de alterações nos preços da gasolina e do diesel no curto prazo.
De acordo com avaliações do mercado, em períodos de elevação das cotações internacionais do petróleo, a companhia costuma aguardar entre duas e quatro semanas antes de promover ajustes internos, acompanhando a evolução dos preços globais e a eventual acomodação do mercado. Quando realiza reajustes, a estatal geralmente recompõe apenas parte da defasagem em relação às referências internacionais, estratégia utilizada para reduzir oscilações abruptas no mercado doméstico.
Ao mesmo tempo, o mercado de etanol enfrenta fatores que podem limitar movimentos de alta neste período do ano. O início da safra de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul do País tende a ampliar a oferta do biocombustível e exercer pressão sobre os preços. Um dos fatores é a comercialização dos estoques remanescentes da safra anterior, que costumam ser liquidados pelas usinas antes da entrada da nova produção. Em muitos casos, essas vendas ocorrem com descontos, já que o etanol armazenado por longos períodos pode apresentar perda de qualidade e restrições de mistura com o produto recém-produzido.
Além disso, o avanço da colheita de cana-de-açúcar aumenta a disponibilidade de matéria-prima para produção de etanol, ampliando o volume ofertado no mercado. Dessa forma, o comportamento dos preços do biocombustível nas próximas semanas deverá refletir o equilíbrio entre dois vetores principais. De um lado, a evolução das cotações do petróleo e eventuais reajustes da gasolina podem sustentar o mercado. De outro, o aumento da oferta com o avanço da safra tende a limitar ou neutralizar movimentos de alta. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.