12/Mar/2026
O desfecho da recuperação extrajudicial para a Raízen, que já nasce com adesão de 47% dos credores de uma dívida que alcança R$ 65,14 bilhões, está ajudando a acalmar os ânimos do mercado com a própria Cosan, holding controlada pelo empresário Rubens Ometto que detém 44% da empresa de etanol e distribuição de combustíveis. Outros 44% da Raízen estão com a Shell, que assumiu a liderança das negociações com os credores na semana passada. Até aqui, com o que já está mapeado, a Cosan deve ser diluída na Raízen, já que não poderá acompanhar o aporte de R$ 3,5 bilhões que a Shell se propôs a fazer na empresa. Outros R$ 500 milhões virão de Ometto. O BTG Pactual, sócio relevante da Cosan desde o ano passado, quando ancorou um aporte mais de R$ 10 bilhões no grupo, deixa publicamente claro que não interesse em Raízen. Mas, o que mais deixava o mercado preocupado em relação à Cosan era a possibilidade de a Raízen ser arrastada para uma recuperação judicial.
Uma fonte próxima à Cosan afirmou que a companhia vinha sentindo dificuldade em conversas com as áreas de crédito de bancos em virtude da situação financeira da Raízen. A leitura era de que um eventual pedido de recuperação judicial contaminasse a percepção de credores com a holding, ainda que a empresa tenha, ao longo do tempo, se prevenido e se blindado de quaisquer gatilhos de responsabilidade nas dívidas da Raízen. No mês passado, a Cosan informou a recompra de todos os títulos emitidos no exterior (bonds) com vencimentos em 2030 e 2031, que tinham vínculo com a Raízen e poderiam promover um vencimento antecipado das dívidas do grupo. Na visão dessa fonte, a proposta de recuperação extrajudicial, que já teve boa adesão dos credores, reduz a possibilidade de um pedido de Recuperação Judicial, o que ajuda a acalmar os ânimos e até mesmo melhora o clima para a oferta inicial de ações (IPO) da Compass, pretendida para o início de abril.
A expectativa da empresa é levantar até R$ 5 bilhões com a oferta da Compass e direcionar os recursos para ajudar a desalavancar o grupo. Além disso, uma possível venda de participação na Rumo, empresa de logística sob o guarda-chuva da Cosan, também está sendo tratada. Na Raízen, as conversas da companhia, seus assessores e os credores estão em andamento há tempos e não há uma proposta ainda formal realizada. Os temas mais relevantes agora são o tamanho da conversão parcial da dívida de R$ 65,14 bilhões em ações e uma injeção de capital superior aos R$ 4 bilhões já propostos. A hipótese é que figure na proposta da Raízen algo em torno de R$ 17 bilhões para a conversão de dívida em ações, abaixo dos cerca de R$ 25 bilhões que teriam sido inicialmente discutidos. Os credores querem também que a Shell entre com mais dinheiro na Raízen para que haja um equilíbrio financeiro sustentável, por consequência, operacional. Os bancos credores chegaram a pedir um aporte de R$ 20 bilhões na companhia. Fonte: Broadcast Agro.