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12/Mar/2026

Raízen: produtores avaliam endurecer negociações

Produtores independentes de cana-de-açúcar avaliam endurecer as condições de negociação com a Raízen após o pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela companhia. A avaliação é de representantes do setor sucroenergético, que indicam aumento da cautela entre fornecedores de matéria-prima diante das incertezas sobre a situação financeira da empresa. Entre as medidas discutidas pelos produtores está a possibilidade de exigir pagamento integral pela cana entregue às usinas. Atualmente, o modelo de remuneração da matéria-prima segue parâmetros definidos pelo Consecana, no qual cerca de 80% do valor é pago no momento da entrega e os 20% restantes são quitados posteriormente. O tema ganhou relevância após o anúncio da recuperação extrajudicial da empresa, movimento que elevou a percepção de risco entre fornecedores de cana-de-açúcar.

Embora a medida não represente uma recuperação judicial, o episódio aumentou as preocupações sobre possíveis desdobramentos financeiros da companhia. A principal preocupação dos produtores é garantir o recebimento pela matéria-prima fornecida às unidades industriais. Apesar disso, a empresa informou ao setor que possui recursos em caixa e capital de giro suficientes para manter os pagamentos aos fornecedores, destacando que a cana-de-açúcar é insumo essencial para a produção de açúcar e etanol. Mesmo com essa sinalização, o ambiente entre produtores permanece marcado por cautela. Em alguns casos, fornecedores têm adiado investimentos, reavaliado contratos e postergado decisões comerciais envolvendo novas entregas de cana à companhia. Também há relatos de produtores evitando firmar contratos de longo prazo com a empresa enquanto persistirem incertezas sobre a evolução da situação financeira. O nível de endividamento da companhia também contribui para as preocupações no campo.

Estimativas do setor indicam que a empresa possui dívida próxima de R$ 65 bilhões, com geração anual de Ebitda estimada entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões. Apesar do cenário envolvendo a empresa, a avaliação de representantes do setor é de que a situação não caracteriza uma crise estrutural da cadeia sucroenergética, mas estaria relacionada a decisões de gestão e investimentos específicos da companhia. No campo, o cenário produtivo já era considerado desafiador antes do episódio. A expectativa é de aumento na produção de cana nesta safra, favorecida por chuvas recentes e pelas condições dos canaviais, mas os preços seguem pressionados. Estimativas do setor indicam custo de produção próximo de R$ 1.500 por tonelada, enquanto os preços atuais equivalem a cerca de R$ 1.400 por tonelada. Insumos como fertilizantes e diesel continuam exercendo pressão sobre os custos da atividade, em um contexto de margens apertadas para os produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.