12/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar negociados na Bolsa de Nova York encerraram o pregão desta quarta-feira (11/03) em queda, revertendo os ganhos registrados no início da sessão. O vencimento maio recuou 13 pontos, ou 0,90%, para 14,25 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi influenciado principalmente por fatores técnicos, uma vez que níveis de preço acima de 14,50 centavos de dólar por libra-peso têm atraído maior volume de vendas no mercado. Durante o pregão, o contrato para maio chegou a atingir máxima de 14,53 centavos de dólar por libra-peso. A retração ocorreu apesar da valorização do petróleo no mercado internacional, fator que tende a aumentar a competitividade do etanol frente ao açúcar e pode estimular um mix de produção mais alcooleiro no Centro-Sul do Brasil.
Esse cenário, em tese, poderia reduzir a oferta global da commodity. As cotações do petróleo avançaram em meio a temores de prolongamento das tensões no Estreito de Ormuz, após relatos de que o Irã teria colocado minas na região e de que três embarcações foram atingidas por projéteis de origem desconhecida. O movimento de alta, entretanto, pode ser parcialmente limitado pela decisão da Agência Internacional de Energia (AIE) de liberar 400 milhões de barris de petróleo de reservas emergenciais de seus 32 países-membros. No campo dos fundamentos do açúcar, a consultoria StoneX revisou para baixo sua estimativa de superávit global para a temporada 2026/27, reduzindo a projeção de 2,9 milhões de toneladas para cerca de 870 mil toneladas.
A revisão reflete cortes nas expectativas de produção em importantes países produtores e mudanças no direcionamento da cana-de-açúcar no Brasil. Projeções apresentadas pela Datagro indicam que a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil pode atingir 635 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 4% em relação às 610,5 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. consultoria também projeta alteração no mix produtivo em favor do etanol. A parcela da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar deve recuar de 50,7% na safra 2025/26 para 48,5% em 2026/27. Com essa mudança, a produção de açúcar no Centro-Sul tende a permanecer praticamente estável, passando de 40,77 milhões de toneladas para 40,70 milhões de toneladas no período.