12/Mar/2026
O direcionamento de maior volume de cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil no início da safra 2026/27 pode reduzir a oferta de açúcar no curto prazo e contribuir para o reequilíbrio do mercado global da commodity. A avaliação considera o atual nível das cotações internacionais, próximas de 14,00 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York, patamar considerado relativamente baixo para sustentar a produção global. Nesse contexto, ajustes na oferta tendem a ocorrer à medida que produtores buscam maior rentabilidade.
O cenário aponta para início de safra no Brasil com perfil mais alcooleiro, com parte relevante da cana sendo direcionada ao biocombustível. Esse movimento tende a limitar temporariamente a produção de açúcar e reduzir a pressão de oferta no mercado internacional. A situação atual contrasta com o cenário observado cerca de três anos atrás, quando a combinação de oferta mais restrita e baixa proteção de compradores elevou as cotações para a faixa de 24 a 25 centavos de dólar por libra-peso.
No momento, o mercado internacional apresenta preços mais baixos e elevada presença de posições vendidas no mercado financeiro, estimadas em aproximadamente 13 milhões de toneladas. Esse ambiente reforça a possibilidade de ajustes na produção global como mecanismo de reequilíbrio do mercado. O comportamento do mix de produção no Brasil é considerado fator determinante para a dinâmica global do açúcar nos próximos meses. As condições de mercado indicam incentivo inicial para maior produção de etanol, especialmente no início da temporada.
Entretanto, a estrutura futura de preços ainda sugere possibilidade de retomada do incentivo à produção de açúcar ao longo da safra, dependendo da evolução das cotações internacionais e das paridades entre açúcar e etanol. Além disso, diferenças entre os preços internacionais e os valores praticados em alguns mercados domésticos também influenciam as expectativas do setor. Em determinados países, como a China, o açúcar no mercado interno é negociado próximo de US$ 1.000 por tonelada, nível significativamente superior ao observado nas cotações internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.