12/Mar/2026
O consumo global de açúcar deve continuar em expansão nos próximos anos, embora em ritmo mais moderado em comparação às décadas anteriores. A desaceleração está associada a mudanças nos hábitos alimentares, maior preocupação com saúde e ao avanço de medicamentos voltados à perda de peso, fatores que tendem a reduzir o crescimento da demanda em algumas regiões.
Apesar disso, a expansão do consumo em países emergentes permanece como principal vetor de crescimento do mercado global. O aumento da renda nessas economias amplia o acesso a alimentos industrializados e produtos processados, o que sustenta o avanço da demanda por açúcar em termos absolutos. A tendência de crescimento mais concentrado em mercados de menor renda já vem sendo observada há vários anos. À medida que essas economias elevam o poder de compra da população, o consumo de alimentos com maior valor agregado tende a aumentar, impulsionando a utilização da commodity.
Estima-se que cerca de um terço da população mundial ainda esteja em países com renda per capita entre US$ 3 mil e US$ 4 mil, faixa considerada de forte potencial de expansão do consumo alimentar. Nesse contexto, países populosos da Ásia e de outras regiões emergentes apresentam perspectiva de crescimento relevante da demanda. A Indonésia é frequentemente apontada como exemplo desse potencial. Em determinados períodos, o país chegou a importar aproximadamente 5 milhões de toneladas de açúcar, superando a China como principal comprador global da commodity. O tamanho da população e o processo gradual de elevação da renda reforçam as perspectivas de aumento do consumo no médio e longo prazos.
O possível impacto de medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e diabetes, ainda é considerado limitado para o mercado global de açúcar. O uso desses produtos permanece concentrado em segmentos de renda mais elevada, o que restringe sua influência sobre os padrões globais de consumo no curto prazo. Outro fator estrutural que tende a moderar o crescimento da demanda é a desaceleração do avanço da população mundial.
A taxa global de crescimento populacional atualmente gira em torno de 0,8% ao ano, nível inferior às médias históricas, o que naturalmente reduz o ritmo de expansão do consumo agregado. Em economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, a tendência já é de retração no consumo de açúcar, refletindo mudanças de comportamento alimentar e maior preocupação com saúde. Estimativas indicam redução acumulada de aproximadamente 12 milhões de toneladas ao longo dos últimos anos no mercado norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.