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12/Mar/2026

Raízen: credores insistem em capitalização maior

As negociações entre os credores da Raízen e a companhia circulam neste momento em temas como o tamanho da conversão parcial da dívida de R$ 65,14 bilhões em ações e uma injeção de capital superior aos R$ 4 bilhões já propostos. A companhia entregou ontem à Justiça um plano de recuperação extrajudicial, com adesão de 47% dos credores e tem 90 dias para negociar os termos de um acordo para sua homologação. Basicamente, os credores que detém títulos de dívida emitidos pela companhia defendem que haja um aporte maior do que os R$ 3,5 bilhões anunciados pela Shell, que divide o capital da companhia com a Cosan. Outros R$ 500 milhões devem ser colocados por Rubens Ometto, sócio fundador da Cosan, por meio de veículos de investimento de seu family office Aguassanta. Os credores, como um tudo, já haviam sinalizado que buscavam dos acionistas um aporte de ao menos R$ 20 bilhões.

Uma das hipóteses de conversão de dívida em ações seria do montante de cerca de R$ 25 bilhões, o que equivaleria a cerca de 40% dos créditos detidos por detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), debêntures, envolvendo também vários bancos. Somente entre os detentores de títulos de dívida emitidos no mercado externo e local, a soma é de R$ 31,5 bilhões, conforme a lista de credores apresentada no pedido protocolado de recuperação extrajudicial. O plano, elaborado pela Shell, que assumiu as conversas com os credores após anunciar um aporte que não seria acompanhado pela principal sócia, visa que a petroleira passe a ser controladora da Raízen, já com uma dívida menor. Para frente, a companhia cogita dividir a Raízen entre os braços de energia e distribuição de combustíveis.

No entanto, não fazer isso agora, com o negócio de distribuição passando para as mãos do BTG Pactual foi o que travou as negociações com a Cosan. Sem o banco parceiro, que só entraria com capital nessas condições, a holding controlada por Ometto se viu obrigada a deixar a mesa de negociações, por não ter recursos para acompanhar a Shell em aporte similar. Na visão de um analista que opera no mercado de dívida e acompanha as discussões envolvendo a Raízen, transformar dívida em ações em montante tão elevado quanto os perto de 40% do total é complicado, à medida que uma parte desses investidores que compraram papéis de renda fixa devem preferir manter suas atuais posições. "Muitos não querem ações da Raízen, mas que os acionistas coloquem mais recursos na empresa para melhorar seu perfil de endividamento e se tornar viável", comentou.

Entre os bancos, os principais credores são o BNP Paribas (R$ 3,06 bilhões) em financiamentos vinculados a empréstimos com garantia da agência italiana de crédito à exportação SACE; o Rabobank, com exposição próxima de R$ 2,24 bilhões, enquanto o Bradesco aparece com aproximadamente R$ 2,08 bilhões em operações de crédito e CPR financeiras. A lista de credores inclui ainda o Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC), com cerca de R$ 1,95 bilhão, e o Scotiabank, com aproximadamente R$ 1,59 bilhão em empréstimos. Outros credores relevantes são Santander, com cerca de R$ 1,27 bilhão em crédito e pré-financiamentos de exportação; o Itaú BBA, com cerca de R$ 1,24 bilhão em CPR financeiras; o MUFG Bank, com aproximadamente R$ 1,18 bilhão; o BBVA, com cerca de R$ 1,05 bilhão; e o Banco do Brasil, com aproximadamente R$ 1,03 bilhão em exposição. Fonte: Broadcast Agro.