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12/Mar/2026

Açúcar: revisada projeção de superávit global 2026/27

A StoneX reduziu a projeção de superávit global de açúcar na temporada 2026/27 (outubro a setembro) para cerca de 870 mil toneladas, ante estimativa anterior de 2,9 milhões de toneladas. Apesar da revisão, o balanço mundial da commodity permanece superavitário, ainda que com margem significativamente mais estreita. A redução na estimativa decorre principalmente de revisões negativas na produção de importantes países produtores e de mudanças no direcionamento da cana-de-açúcar no Brasil, maior produtor e exportador global da commodity. Para o Brasil, as projeções indicam maior destinação da matéria-prima para a produção de etanol. Na safra 2026/27 do Centro-Sul, a moagem de cana-de-açúcar é estimada em 620,5 milhões de toneladas, com leve expansão da área colhida e recuperação parcial da produtividade.

Mesmo com esse cenário, o mix açucareiro foi revisado para 48,7%, abaixo da estimativa anterior de 49,3%. Com a alteração no mix industrial, a produção brasileira de açúcar é projetada em aproximadamente 40 milhões de toneladas, volume cerca de 700 mil toneladas inferior à projeção anterior. A relação entre os preços internacionais do açúcar e os valores do etanol tende a influenciar a estratégia industrial das usinas, favorecendo a produção de biocombustível no início da safra e limitando a expansão da oferta de açúcar. Ainda assim, o Brasil permanece como um dos principais elementos de equilíbrio do mercado global. A safra 2025/26 do Centro-Sul deve ser concluída com produção próxima de 40,4 milhões de toneladas de açúcar e mix estimado em cerca de 50,5% ao final do ciclo. No segmento de biocombustíveis, a expectativa é de crescimento relevante da produção.

O volume de etanol no Centro-Sul pode alcançar 37,2 bilhões de litros na safra 2026/27, avanço de 10,2% em relação ao ciclo anterior e novo recorde histórico, impulsionado principalmente pela expansão do etanol de milho. No cenário internacional, a principal revisão ocorreu na Índia. A produção do país foi reduzida de 32,3 milhões para 29,7 milhões de toneladas, refletindo uma safra mais curta no Estado de Maharashtra e produtividade abaixo do esperado em Uttar Pradesh. Mesmo com o ajuste, o volume representa crescimento anual de cerca de 13,9% em comparação com a temporada anterior. O mercado global passa por um período de ajustes na oferta, mas ainda sem ruptura no equilíbrio entre produção e consumo. Mesmo com os cortes nas estimativas de produção em países relevantes, o balanço internacional permanece levemente superavitário, o que tem limitado movimentos de alta mais consistentes nas cotações, sobretudo diante de sinais de demanda global menos dinâmica.

Parte das perdas de produção é parcialmente compensada por revisões positivas em outras regiões produtoras. Na Europa, a safra de beterraba superou as expectativas, com produção aproximadamente 2 milhões de toneladas acima das estimativas anteriores, resultado de maior produtividade tanto na União Europeia quanto na Ucrânia. Na América do Norte, a produção do México também foi revisada para cima, passando de 5,1 milhões para 5,4 milhões de toneladas, refletindo ganhos de produtividade nos canaviais. Apesar desses ajustes, o comércio internacional segue marcado por sinais de oferta relativamente confortável. Importações mais lentas em grandes mercados consumidores e níveis elevados de estoques contribuem para manter as cotações internacionais próximas de 14,00 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.