12/Mar/2026
Os países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) aprovaram a liberação coordenada de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas para o mercado internacional. A medida busca mitigar os impactos das interrupções de oferta provocadas pela guerra no Oriente Médio e pelo colapso dos fluxos energéticos através do Estreito de Ormuz.
A decisão foi adotada de forma unânime pelos 32 países integrantes da agência após reunião extraordinária convocada para avaliar as condições do mercado energético diante do agravamento do conflito na região. A avaliação é de que as perturbações atuais no mercado de petróleo apresentam escala inédita, exigindo resposta coletiva de magnitude semelhante, uma vez que o comércio da commodity opera em dinâmica global.
O choque de oferta está associado principalmente à interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo e derivados. Em 2025, aproximadamente 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos refinados transitaram pela passagem marítima, volume equivalente a cerca de 25% do comércio marítimo global da commodity.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, os embarques pela região caíram para menos de 10% dos níveis anteriores. A redução forçou operadores e produtores a interromper ou reduzir significativamente a produção, ampliando as pressões sobre o abastecimento internacional. Apesar da liberação das reservas emergenciais, a avaliação predominante no mercado energético é de que a normalização dos fluxos pelo Estreito de Ormuz representa o fator mais relevante para restabelecer o equilíbrio entre oferta e demanda.
Os volumes anunciados serão disponibilizados ao mercado conforme cronogramas definidos individualmente pelos países participantes e poderão ser complementados por outras medidas emergenciais, caso necessário. Atualmente, os países-membros da agência detêm mais de 1,2 bilhão de barris em reservas estratégicas governamentais, além de aproximadamente 600 milhões de barris mantidos pela indústria sob obrigações regulatórias. A iniciativa representa a sexta liberação coordenada de estoques desde a criação da agência, em 1974.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a liberação de barris de petróleo coordenada com a Agência Internacional de Energia (AIE) visa equilibrar o mercado da commodity e será feita "aos poucos", à medida que monitoram os desdobramentos do mercado e de outros parceiros. A França irá liberar um máximo de 14,5 milhões de barris de petróleo, e a liberação pelo G7 será organizada nos próximos dias. Ele ainda avaliou que é importante definir "os objetivos militares e políticos" na guerra no Irã e que a coordenação das escoltas dos navios do Estreito de Ormuz levará algumas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.