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12/Mar/2026

Petrobras e o desafio da guerra no Oriente Médio

Mais rápido do que o esperado, a nova guerra no Oriente Médio fez a cotação do petróleo ultrapassar US$ 100 o barril. Oito dias depois do primeiro bombardeio de Estados Unidos e Israel contra Irã, o tipo Brent, referência internacional, encostou em US$ 120 por barril, o que não era visto desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022. Caiu em seguida, mas permanece rondando o patamar de US$ 100 por barril. A intensidade e a rapidez com que o conflito no Golfo Pérsico, principal região produtora de petróleo do mundo, afeta o preço da commodity tendem a colocar a Petrobras, mais uma vez, ante a adoção do modo "privado" ou "estatal" na travessia da nova ordem econômica mundial. As decisões a partir de agora indicarão o quão profunda pode ser a interferência política na estratégia comercial da empresa.

Por enquanto, como grande exportadora de petróleo cru, hoje o principal item da pauta comercial brasileira, a Petrobras está lucrando com a valorização acelerada da commodity. Mas pode zerar ou até mesmo reverter ganhos dependendo do período em que a escalada da cotação se prolongar sem repasses proporcionais aos preços domésticos dos produtos derivados, como gasolina e diesel. Há pouco mais de uma década, a escolha errada foi desastrosa para a companhia. Entre 2011 e 2014, o preço internacional do Brent se manteve sistematicamente acima de US$ 100 por barril por motivos parecidos: a Primavera Árabe deflagrou fortes conflitos no Oriente Médio e norte da África com interrupções no fornecimento, enquanto a demanda mundial crescia. Ignorando solenemente o drástico cenário internacional, o governo brasileiro manteve represados os preços internos e deteriorou o caixa da empresa, que registrou em 2015 prejuízo de R$ 34,83 bilhões, o maior da história da empresa.

A intenção era manter a inflação controlada, ainda que artificialmente e à custa da saúde financeira da Petrobras. A guerra atual não dá sinais de que será curta como se imaginava a princípio. Com a irresponsabilidade de sempre, o presidente norte-americano Donald Trump diz que a disparada do petróleo "é um pequeno preço a pagar" diante de seus objetivos no Irã e dita os rumos da economia mundial. No Brasil, o ano de 2026 se anuncia como a prova de fogo para a Petrobras. Num momento em que a empresa conseguiu um alinhamento razoável aos padrões internacionais e comemora recorde de produção que levou ao aumento de 200% no lucro de 2025 em relação ao ano anterior, um novo congelamento forçado de preços para segurar a inflação seria uma infeliz volta ao passado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.