11/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta terça-feira (10/03) em queda na Bolsa de Nova York, pressionados principalmente pelo forte recuo das cotações do petróleo no mercado internacional. O contrato com vencimento em maio recuou 21 pontos, ou 1,44%, e fechou a 14,38 centavos de dólar por libra-peso. A principal pressão veio do mercado de energia. O petróleo registrou forte correção após declarações indicando possível redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A queda da commodity reduziu o prêmio de risco associado ao conflito na região e influenciou diretamente o mercado de açúcar. Com o petróleo mais barato, o etanol perde competitividade frente à gasolina. Esse movimento tende a incentivar as usinas brasileiras a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar na safra 2026/27, aumentando a oferta global do adoçante.
Apesar da correção nas cotações, o cenário permanece marcado por elevada volatilidade. Analistas destacam que um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz poderia provocar impactos logísticos relevantes no comércio internacional de commodities, elevando custos de frete, seguros e rotas de exportação, inclusive para o açúcar. No horizonte de médio prazo, as projeções continuam apontando para superávit global no mercado do adoçante. Consultorias especializadas estimam um excedente mundial entre 2,9 milhões e 3,4 milhões de toneladas na próxima safra. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) também projeta saldo positivo de aproximadamente 1,22 milhão de toneladas na temporada 2025/26, com destaque para o aumento da produção em países asiáticos. Na Índia, por exemplo, a produção acumulada até fevereiro atingiu 24,75 milhões de toneladas, avanço de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.