11/Mar/2026
A volatilidade do petróleo no mercado internacional já provoca repasses ao longo da cadeia de combustíveis no Brasil, com efeitos que começam nos produtos importados e chegam aos preços praticados nos postos de abastecimento. O movimento ocorre em um contexto de forte oscilação das cotações do petróleo em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Apesar de o Brasil ser autossuficiente na produção de petróleo e registrar exportações da commodity, o mercado doméstico ainda depende de importações relevantes de derivados. Mais de 25% do diesel consumido no País e pouco mais de 10% da gasolina são adquiridos no exterior, parcela que reage rapidamente às oscilações das cotações internacionais.
Esse efeito é percebido com maior intensidade em regiões atendidas por refinarias privadas e por portos que recebem combustíveis importados. Entre os principais polos estão a Refinaria de Mataripe, na Bahia, e a Refinaria da Amazônia (REAM), no Amazonas. Nessas áreas, os preços refletem de forma mais imediata a elevação dos custos de importação, ainda que esses volumes sejam considerados essenciais para evitar restrições de oferta. Há também sinais de maior restrição de fornecimento em determinados segmentos do mercado, especialmente para transportadores-revendedores-retalhistas e postos sem vínculo contratual com distribuidoras.
Esses agentes costumam operar no mercado spot, adquirindo combustível diariamente de diferentes fornecedores, o que os torna mais sensíveis a oscilações inesperadas de demanda e de preços. No ambiente operacional, a combinação entre preços mais elevados e instabilidade aumenta a necessidade de capital de giro das empresas do setor. O impacto ocorre porque os custos financeiros e operacionais crescem com o valor final de venda, incluindo despesas como taxas de cartões de pagamento, calculadas sobre o preço dos combustíveis. Mesmo sem reajustes recentes nas refinarias da Petrobras, a diferença entre os preços domésticos e os valores internacionais permanece significativa. Na abertura do pregão do dia 9 de março, com o petróleo cotado a US$ 120 por barril, a defasagem do diesel em relação ao mercado internacional chegou a 85%, enquanto a gasolina registrou diferença de 49%.
No fechamento do mesmo dia, com a commodity recuando para US$ 91 por barril, a diferença diminuiu, mas permaneceu elevada, em 60% para o diesel e 35% para a gasolina. A manutenção de preços domésticos abaixo das referências internacionais pode reduzir o estímulo à importação de combustíveis, criando um equilíbrio delicado entre a contenção de preços ao consumidor e a preservação do fluxo de abastecimento. Nesse contexto, o funcionamento do mercado e a disponibilidade de oferta dependem da continuidade das importações para complementar a produção nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.