11/Mar/2026
O agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio tem elevado os custos de energia e transporte internacional, criando um ambiente inflacionário que tende a sustentar os preços do açúcar no mercado global. O cenário envolve impactos indiretos sobre a cadeia da commodity, principalmente por meio do aumento dos custos logísticos e da instabilidade nas rotas marítimas. O bloqueio do Estreito de Ormuz e as interrupções nas passagens pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez ampliam os riscos geopolíticos e afetam o comércio internacional. Embora o impacto direto sobre a oferta global de açúcar seja limitado, o choque altera a dinâmica de custos e logística da cadeia de abastecimento. Com restrições nas principais rotas marítimas, embarques provenientes do Brasil e da América Central, que abastecem grande parte das importações regionais de açúcar bruto na bacia atlântica, passam a realizar trajetos mais longos e mais caros ao redor do Cabo da Boa Esperança. Esse desvio aumenta o tempo de trânsito e eleva os custos de frete.
As interrupções logísticas também afetam a confiabilidade operacional dos principais centros de refino do Oriente Médio. Refinarias relevantes da região passam a operar com cadeias de abastecimento mais frágeis, independentemente da origem do açúcar, uma vez que tanto as rotas da bacia atlântica quanto as provenientes do Sudeste Asiático enfrentam restrições. Como consequência, o mercado regional passa a conviver com custos de entrega mais elevados, prazos mais longos e maior incerteza logística, mesmo sem alterações relevantes na produção física da commodity. O comportamento do petróleo também influencia a cadeia do açúcar ao elevar os custos de insumos agrícolas, operações no campo, refino e transporte internacional. Economias com forte dependência de energia importada, como a Índia, tendem a ser particularmente impactadas. Paralelamente, a produção indiana de açúcar foi revisada para cerca de 28,3 milhões de toneladas, refletindo efeitos climáticos adversos.
Apesar da revisão na produção, o impacto sobre o mercado global tende a ser limitado, uma vez que as exportações indianas permanecem restritas a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. Parte desse efeito pode ser compensada por maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de açúcar no Brasil, o que mantém viés estruturalmente mais baixista para os preços no médio prazo. Ainda assim, países que tradicionalmente dependem da oferta indiana poderão buscar suprimento em outros fornecedores. Nesse contexto, rotas comerciais entre o Ocidente e mercados da Ásia, África e Oriente Médio também podem exigir desvios logísticos adicionais ao redor do Cabo da Boa Esperança. No Brasil, o cenário internacional tende a favorecer preços mais elevados do açúcar. A valorização do petróleo reduz a probabilidade de cortes nos preços domésticos dos combustíveis e aumenta a possibilidade de repasse de custos ao mercado interno, fortalecendo a competitividade do etanol.
Esse movimento eleva o piso efetivo para os preços internacionais do açúcar, uma vez que parte do excedente global pode ser direcionada ao consumo de etanol no mercado brasileiro. Antes da escalada das tensões geopolíticas, esse equilíbrio exigia preços do etanol hidratado próximos de R$ 2,20 por litro ex-mill, equivalentes a aproximadamente 13,0 a 13,5 centavos de dólar por libra-peso para o açúcar. Com a elevação dos custos energéticos, o nível implícito passa para cerca de R$ 2,40 por litro, ou entre 13,7 e 14,2 centavos de dólar por libra-peso. O cenário macrofinanceiro também adiciona pressões adicionais ao mercado. A valorização do dólar, impulsionada pela busca global por ativos considerados seguros, e a alta do petróleo reacendem preocupações inflacionárias e reduzem expectativas de cortes de juros. Embora um dólar mais forte tenda a pressionar commodities em termos nominais, no caso do açúcar esse efeito é parcialmente compensado pelo aumento dos custos de produção, pela paridade mais ajustada do etanol e pelo encarecimento do frete internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.