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10/Mar/2026

Açúcar: “canetas emagrecedoras” impactam mercado

O avanço do uso de medicamentos agonistas do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas utilizadas para controle de peso, começa a gerar efeitos sobre o consumo de açúcar, especialmente nos Estados Unidos. A mudança de comportamento alimentar entre usuários desses medicamentos já tem provocado ajustes em contratos internacionais e pressiona a dinâmica da cadeia produtiva global do açúcar. No comércio exterior, produtores brasileiros passaram a renegociar contratos de exportação de longo prazo firmados com importadores norte-americanos. O objetivo é evitar penalidades contratuais caso compradores reduzam volumes contratados diante da possibilidade de formação de estoques elevados, decorrentes da queda no ritmo de consumo. Estudos de mercado indicam que o avanço desses medicamentos pode reduzir o crescimento histórico da demanda por açúcar e produzir impactos relevantes sobre produtores da commodity.

Nos Estados Unidos, projeções oficiais apontam redução de 23 mil toneladas no consumo de açúcar em 2026. No mercado financeiro, as cotações de contratos futuros do açúcar registraram em fevereiro de 2026 o nível mais baixo desde 2020. No Brasil, ainda não há evidências consolidadas de impactos diretos sobre o setor sucroenergético. Entretanto, análises de mercado indicam que fabricantes de alimentos com maior teor de açúcar já registram mudanças no padrão de consumo. Entre usuários de medicamentos GLP-1, foi observada redução de aproximadamente 10% na demanda por produtos como biscoitos e massas. Diante desse cenário, produtores brasileiros têm buscado alternativas comerciais para compensar eventuais reduções na demanda em mercados tradicionais. Uma das estratégias envolve a ampliação de embarques para outras regiões, com registro de leve crescimento das exportações destinadas a países africanos.

No horizonte de médio e longo prazo, a indústria sucroenergética avalia a possibilidade de ampliar o direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol. Projeções indicam redução da participação do açúcar no mix de produção das usinas do Centro-Sul do Brasil, que poderia recuar de 51% para uma faixa entre 47,5% e 48,5%. Entretanto, a alteração do destino da matéria-prima exige adaptações relevantes na estrutura operacional das usinas, incluindo ajustes em armazenagem, logística e processos industriais. Além disso, a expansão da produção de etanol depende da garantia de mercado para absorver maiores volumes do biocombustível em condições competitivas de preço. No mercado internacional, pesquisas com operadores e analistas indicam expectativa de correção nas cotações do açúcar bruto, com contratos futuros negociados cerca de 10% acima dos níveis atuais na bolsa ICE. O mercado tem sido influenciado por um superávit global estimado em 1,39 milhão de toneladas métricas na safra 2025/26.

Para o ciclo 2026/27, projeções apontam reversão para um déficit global de 1,50 milhão de toneladas, o que poderia alterar a dinâmica de preços da commodity. Ao mesmo tempo, estimativas indicam aumento na produção de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil, de 610 milhões para 625 milhões de toneladas, porém com menor participação destinada ao açúcar, projetada em 48,8%, abaixo dos cerca de 50,7% registrados na temporada atual. A evolução do mercado energético também representa fator relevante para o setor sucroenergético. A elevação dos preços internacionais do petróleo tende a aumentar a competitividade do etanol frente à gasolina, incentivando maior direcionamento da cana para a produção de biocombustível. A intensificação das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, contribui para pressionar as cotações do petróleo e reforça a possibilidade de ajustes no mercado de combustíveis no Brasil. Fonte: Dinheiro Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.