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09/Mar/2026

Açúcar: futuros em alta acompanhando o petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão de sexta-feira (06/03) em alta expressiva na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em maio avançou 38 pontos, ou 2,77%, e fechou a 14,10 centavos de dólar por libra-peso. No acumulado da semana passada, o contrato registrou valorização de 1,51%. O principal fator de sustentação das cotações foi o avanço dos preços do petróleo no mercado internacional, que tende a elevar a competitividade do etanol em relação ao açúcar. Esse movimento pode estimular as usinas brasileiras a direcionarem maior parcela da cana-de-açúcar para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta potencial de açúcar no mercado. Além do efeito energético, o mercado também reagiu a preocupações com a logística de exportação na região do Golfo Pérsico.

O conflito no Oriente Médio pode limitar os embarques de açúcar refinado a partir da região, com estimativas indicando possível redução de até 1,25 milhão de toneladas nas exportações. Esse cenário tende a elevar o prêmio do açúcar branco no comércio internacional diante das dificuldades operacionais enfrentadas por refinarias locais. Apesar da alta observada na sessão, as projeções de superávit global seguem no radar dos investidores. Consultorias privadas estimam excedente entre 3,4 milhões e 4,8 milhões de toneladas para o ciclo 2026/27, o que mantém um vetor estrutural de pressão sobre os preços. Pelo lado da demanda, o mercado também monitora possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o fluxo comercial.

A região representa cerca de 19% das exportações brasileiras de açúcar e importou mais de 8 milhões de toneladas do produto em 2025. Eventuais interrupções prolongadas no comércio poderiam resultar em aumento de estoques nos países exportadores e pressão adicional sobre as cotações. Na Ásia, a produção de açúcar da Índia segue no radar dos agentes de mercado. A produção acumulada até o fim de fevereiro alcançou 24,75 milhões de toneladas, volume 12% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Ainda assim, a Indian Sugar Mills Association mantém a projeção de queda de 5,3% na produção líquida na safra atual. O mercado também acompanha riscos climáticos associados à possível ocorrência de El Niño a partir de julho, cenário que adiciona cautela às perspectivas de oferta global e limita movimentos mais acentuados de queda nas cotações internacionais.