06/Mar/2026
Segundo avaliação da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem entre os preços dos combustíveis praticados no Brasil e as cotações internacionais alcançou níveis elevados e pode gerar riscos ao abastecimento no mercado interno. O descompasso ocorre em um momento em que o País depende da importação de derivados para atender à demanda doméstica. As refinarias instaladas no Brasil não conseguem suprir integralmente o consumo interno, o que exige a complementação do abastecimento por meio de compras externas. Atualmente, cerca de 30% do óleo diesel e 10% da gasolina consumidos no mercado brasileiro são importados.
A dependência é ainda mais relevante em regiões mais distantes dos principais polos de refino, como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sul, especialmente por meio do porto de Porto de Paranaguá. Nessas áreas, o fornecimento depende majoritariamente de importadores independentes ou de unidades privadas de refino. A diferença entre preços pode alcançar até R$ 1,00 por litro no diesel e cerca de R$ 0,40 por litro na gasolina, refletindo variações de custos logísticos e tributários entre Estados. A estrutura de mistura obrigatória também influencia os custos finais. No Brasil, o diesel comercializado no mercado interno contém 15% de biodiesel, enquanto a gasolina recebe adição de 30% de etanol anidro, o que contribui para diferenças regionais de preços.
O diesel comercializado pela Petrobras apresentou defasagem de 47% em relação às cotações internacionais no fechamento da sessão anterior. No caso da gasolina, a diferença chegou a 19%. O alinhamento mais rápido dos preços domésticos às condições do mercado internacional é considerado essencial para garantir a continuidade das importações e evitar desequilíbrios logísticos no abastecimento nacional. Caso contrário, o cenário pode ampliar o risco de desabastecimento e elevar a volatilidade dos preços ao consumidor. A Petrobras responde atualmente por cerca de 80% da capacidade de refino no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.