06/Mar/2026
O mercado brasileiro de etanol entrou em 2026 com oferta apertada, reflexo de estoques historicamente baixos após o encerramento da safra de cana-de-açúcar e da produção ainda limitada de etanol de milho. Nesse contexto, as importações ganharam espaço, especialmente a partir dos Estados Unidos, contribuindo para aliviar as cotações domésticas nos últimos meses, segundo análise do BTG Pactual.
A combinação de preços elevados do biocombustível no mercado interno e a valorização do real frente ao dólar voltou a tornar economicamente viável a operação de importação. De acordo com o banco, as margens ficaram positivas inicialmente no Nordeste em dezembro e posteriormente em São Paulo em janeiro.
Com isso, os volumes começaram a crescer. Apenas entre janeiro e fevereiro, cerca de 200 milhões de litros de etanol foram direcionados ao Estado de São Paulo. Na avaliação dos analistas, o avanço das importações, embora ainda limitado frente ao consumo total, ajudou a explicar parte da recente acomodação das cotações do biocombustível.
Apesar desse movimento, a janela de importação tende a se reduzir no Sudeste. A elevação dos preços do etanol nos Estados Unidos, combinada à recente queda das cotações em São Paulo, diminuiu a atratividade da operação. No Nordeste, porém, as condições ainda podem favorecer a continuidade das compras externas. Historicamente, as importações representam parcela pequena do abastecimento nacional.
Nos últimos dez anos, o Brasil importou em média cerca de 800 milhões de litros de etanol por ano, sendo aproximadamente 90% desse volume proveniente dos Estados Unidos, o equivalente a cerca de oito dias de produção doméstica. A participação limitada se explica pelo fato de que, na maior parte do tempo, os preços internos não compensam os custos logísticos da importação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.