06/Mar/2026
O etanol perdeu competitividade frente à gasolina na maior parte do Brasil em fevereiro, refletindo aumento de preços do biocombustível e recuo nas cotações dos combustíveis fósseis no período. Levantamento da ValeCard mostra que apenas no Amapá o abastecimento com etanol foi economicamente mais vantajoso em relação à gasolina. O preço médio do etanol subiu em 22 Estados brasileiros na comparação com janeiro. Apesar da queda mensal observada em cinco unidades da Federação, o combustível renovável perdeu competitividade na maior parte do País. No mesmo período, a gasolina apresentou recuo em 16 Estados, com destaque para a região Nordeste, enquanto o diesel registrou queda em 22 Unidades da Federação. A pesquisa considera transações realizadas entre 1º e 26 de fevereiro em mais de 25 mil postos credenciados em todo o País.
Na média nacional, a gasolina comum foi comercializada a R$ 6,462 por litro em fevereiro, recuo de R$ 0,021 ou -0,32% em relação a janeiro, quando o preço médio era de R$ 6,483 por litro. O diesel S-10 apresentou redução de R$ 0,027 ou -0,43%, passando de R$ 6,336 para R$ 6,309 por litro. Já o etanol registrou o maior avanço entre os combustíveis analisados, com alta de R$ 0,067 ou +1,42%, saindo de R$ 4,718 para R$ 4,785 por litro. Segundo a metodologia utilizada, o etanol hidratado é considerado economicamente vantajoso quando o preço por litro corresponde a até 70% do valor da gasolina, considerando diferenças de rendimento energético entre os combustíveis. A elevação do etanol reflete fatores sazonais associados à menor oferta de cana-de-açúcar durante o período de entressafra, o que reduz a disponibilidade do biocombustível e sustenta os preços em patamar mais elevado.
A demanda em alguns Estados também contribui para a pressão sobre as cotações. Além disso, o aumento do preço do etanol anidro, que compõe aproximadamente 30% da gasolina, também influencia a formação de preços nas bombas. Apesar da acomodação observada no mercado doméstico em fevereiro, o cenário pode sofrer alterações diante das tensões geopolíticas no mercado internacional de energia. A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente com episódios recentes no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo, eleva o risco de interrupções no fluxo da commodity. Restrições prolongadas na navegação na região podem pressionar as cotações internacionais do petróleo e gerar novos impactos sobre os preços dos combustíveis no mercado brasileiro. Fonte: InfoMoney. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.