05/Mar/2026
A Shell deverá apresentar aos credores da Raízen proposta que combina aporte de R$ 3,5 bilhões com a conversão de R$ 23 bilhões em dívida em ações da companhia. A Raízen encerra o período com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões. Caso a operação avance nos termos indicados, a participação da Cosan tende a ser diluída, consolidando o controle da companhia pela petroleira britânica.
A ausência de acordo entre as sócias inviabilizou capitalização conjunta. A Cosan não dispõe de recursos para acompanhar o aporte proposto e havia estruturado alternativa com apoio do BTG Pactual, que se tornou sócio da holding no ano anterior. O desenho previa a cisão da Raízen entre o negócio de energia e a distribuição de combustíveis. Nesse modelo, o BTG assumiria o controle da área de distribuição, concentrando endividamento equivalente a cerca de 3,5 vezes de alavancagem, enquanto o segmento de usinas operaria com alavancagem próxima de 1,5 vez.
A divergência estratégica quanto à separação dos ativos inviabilizou o avanço da proposta alternativa. A avaliação predominante é de que a divisão dos negócios não seria o caminho mais adequado no momento, podendo ser considerada futuramente após o reequilíbrio financeiro da companhia. Com isso, a Shell optou por conduzir de forma independente o processo de capitalização e renegociação do passivo.
Sem recursos para participar do aumento de capital, a Cosan permanece fora das tratativas diretas com credores e aguarda a evolução das negociações. Qualquer acordo a ser firmado deverá ser submetido ao Conselho de Administração da Raízen, atualmente presidido por Rubens Ometto.
Nas últimas duas semanas, representantes da Shell, Cosan, Raízen e BTG realizaram reuniões com diferentes grupos de credores em Londres, São Paulo e Rio de Janeiro, além de agenda em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no contexto das discussões sobre a reestruturação financeira da companhia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.