04/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York encerraram a sessão em leve alta, embora abaixo das máximas intradiárias. O vencimento maio avançou 2 pontos, ou 0,14%, para 13,93 centavos de dólar por libra-peso, após atingir pico de 14,20 centavos de dólar por libra-peso, equivalente a alta de 2,08%. O movimento foi sustentado pelo mercado de energia. Após valorização superior a 6% do petróleo na sessão anterior, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, a commodity manteve viés firme, reforçando a competitividade do etanol frente à gasolina. Esse cenário tende a estimular um mix mais direcionado ao etanol no Centro-Sul do Brasil, reduzindo a oferta exportável de açúcar no curto prazo e oferecendo suporte às cotações na Bolsa de Nova York.
A alta do petróleo é considerada um dos principais vetores do setor no momento, uma vez que a elevação dos preços de energia pode direcionar parte da cana-de-açúcar para a produção de biocombustível, ajustando de forma relativamente rápida a oferta global de açúcar. O mercado também repercute revisões na produção da Índia. A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia reduziu em 5,3% sua estimativa de produção líquida para a safra 2025/26, projetando 29,30 milhões de toneladas, diante do encerramento antecipado da moagem em estados como Maharashtra e Karnataka. Relatórios indicam que o volume final pode variar entre 28 milhões e 29 milhões de toneladas, até 5 milhões abaixo das expectativas iniciais, ampliando as incertezas sobre o potencial exportador do país.
A Organização Internacional do Açúcar (OIA) revisou para baixo o superávit global da safra 2025/26, de 1,625 milhão para 1,218 milhão de toneladas. O índice estoque/uso projetado em 51,81% representa o menor nível em 15 anos pela metodologia da entidade, indicando que a margem global de excedente pode ser mais estreita do que estimativas anteriores sugeriam. Apesar do suporte conjuntural, o mercado mantém cautela quanto à continuidade de movimentos mais consistentes de alta. Projeções de superávit global para 2026/27, estimadas entre 3,4 milhões e 4,8 milhões de toneladas por diferentes consultorias, atuam como fator limitador e explicam a resistência técnica observada na faixa entre 14,00 e 15,00 centavos de dólar por libra-peso.