04/Mar/2026
A Shell Brasil assumiu compromisso de aportar R$ 3,5 bilhões na capitalização da Raízen, condicionando a operação à realização de contribuição equivalente pela Cosan, detentora de 50% do capital da joint venture. A avaliação é de que a situação financeira da companhia exige solução estruturante e de longo prazo, diante da necessidade de reequilíbrio do balanço.
As negociações envolvem também o BTG, novo acionista da Cosan, além de bancos credores, em tratativas consideradas prioritárias. A deterioração financeira da Raízen decorre da combinação entre expansão acelerada, queda nos preços de açúcar e etanol, elevação dos juros e desaceleração da transição energética, fatores que ampliaram o endividamento. Desde o fim de 2024, a gestão implementa desinvestimentos com foco na concentração das operações em produção de etanol e distribuição de combustíveis, com melhora operacional já observada.
Duas alternativas estratégicas estão em análise: manutenção da companhia de forma integrada ou separação das operações entre etanol e distribuição. A capitalização da estrutura integrada é considerada a alternativa mais plausível no estágio atual, diante do risco de desorganização da estrutura de dívida antes da estabilização do balanço. A tentativa de atração de investidor externo em 2025, com abertura de data room a grupos globais, não resultou em acordo, levando os atuais sócios a discutirem aporte próprio e eventual participação dos credores. O governo federal acompanha o processo, inclusive com interlocução junto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
As operações de exploração e produção da Shell Brasil permanecem isoladas da situação da Raízen, sustentadas por estruturas de governança distintas. Em 2025, a companhia investiu R$ 12,5 bilhões no País, valor recorde, acima da média histórica de aproximadamente US$ 1,5 bilhão por ano. A empresa é a segunda maior produtora de petróleo no Brasil e mantém parceria histórica com a Petrobras.
Na Bacia de Pelotas, no Sul do Brasil, Shell e Petrobras arremataram 29 blocos no último leilão federal, com previsão de realização de sísmica 3D para complementar os dados de sísmica 2D já concluídos. A produção da companhia no Brasil está próxima de 500 mil barris diários, após registro de 495,9 mil barris de óleo equivalente por dia em 24 de fevereiro.
O portfólio exploratório passou de 10 a 15 blocos em 2021 para 50 blocos atualmente. Entre os principais ativos estão o campo de Tupi, com atividades destinadas a sustentar produção próxima de 1 milhão de barris por dia, e o projeto Gato do Mato, cuja decisão final de investimento foi tomada no ano anterior. A companhia também participou do leilão de áreas não contratadas da ANP em dezembro e adquiriu 15 novos blocos como operadora no sul da Bacia de Santos, com estudos sísmicos em andamento e previsão de perfuração de poço exploratório nos próximos 12 a 24 meses.
No cenário internacional, as tensões entre Estados Unidos e Irã adicionam incerteza ao mercado de petróleo. O Brasil é percebido como fornecedor estável por estar fora da área de conflito, o que tende a elevar sua atratividade como origem de suprimento. O aumento substancial do custo de transporte dos barris passou a compor as variáveis relevantes para compradores e vendedores no ambiente global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.