04/Mar/2026
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, com anúncio de bloqueio à navegação no Estreito de Ormuz, tende a sustentar as cotações do açúcar no curto prazo, segundo avaliação da StoneX. O principal canal de transmissão ocorre via choque energético, com potencial de valorização do etanol brasileiro e aumento dos custos industriais na Europa.
Em relatório especial, a consultoria destacou que o petróleo Brent iniciou a semana com altas expressivas após a proibição iraniana da passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. A região escoa entre 15 milhões e 20 milhões de barris por dia, volume equivalente a 15% a 20% da oferta global. Compradores já indicam prêmios de até US$ 10 por barril para assegurar carregamentos. O corredor concentra a produção e o escoamento de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, com alternativas logísticas limitadas, ampliando a sensibilidade do mercado ao risco geopolítico.
No Brasil, o impacto ocorre via mercado de combustíveis. A defasagem média da gasolina A da Petrobras em relação ao preço de paridade de importação estava ao redor de R$ 0,60 por litro no início da semana. Eventual repasse dessa diferença tende a elevar os preços nas bombas, fortalecendo a competitividade do etanol hidratado. Mesmo em cenário de oferta abundante do biocombustível em 2026, a valorização do combustível fóssil tende a elevar o piso de remuneração às usinas, ampliando seu poder de barganha e oferecendo suporte adicional ao açúcar.
Outro vetor altista decorre da Europa. O gás natural TTF acumulava alta de 17% em 2026 até a semana anterior e chegou a avançar 48% em um único dia, refletindo a intensificação das tensões no Oriente Médio. Estima-se que 20% do gás natural liquefeito global transite pelo Estreito de Ormuz. A estatal de energia do Catar suspendeu integralmente a produção de GNL e derivados, segundo a análise, elevando os riscos de oferta. A valorização do gás encarece o processamento de beterraba na União Europeia, impactando o açúcar branco negociado em Londres. Embora a região esteja em final de safra, a manutenção do rali do gás até o fim do ano pode elevar os custos do ciclo 2026/27 e resultar em repasses aos preços internacionais.
A StoneX também ressalta a importância estrutural do Oriente Médio para o mercado global de açúcar. A região responde por cerca de 6% do consumo mundial e por 15% das importações globais do adoçante. Na safra 2025/26, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos lideram as compras externas, seguidos por Iraque e Irã. O Irã consome entre 2,5 milhões e 2,6 milhões de toneladas por ano, com produção doméstica superior a 1,5 milhão de toneladas, mantendo-se importador líquido em função de limitações geográficas e menor competitividade interna.
No curto prazo, o choque energético sustenta as cotações do açúcar. No médio prazo, a duração do conflito será determinante para avaliar os efeitos sobre o consumo regional e o equilíbrio global do mercado, considerando que episódios prolongados historicamente reduzem o consumo per capita e podem comprometer a dinâmica da indústria local. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.