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03/Mar/2026

Petróleo: conflito no Oriente Médio elevará preços

O Citi estima que o petróleo tipo Brent será negociado na faixa de US$ 80,00 a US$ 90,00 por barril nesta semana, considerando os eventos recentes envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além dos riscos geopolíticos e de abastecimento. A visão é de que a liderança iraniana deve mudar, ou o regime deve se alterar o bastante para pôr fim à guerra em uma ou duas semanas; alternativamente, os Estados Unidos podem optar por reduzir a tensão após perceberem a troca de comando e o atraso nos programas de mísseis e nuclear do Irã no mesmo período. Assim, o petróleo cairá para cerca de US$ 70,00 por barril com a redução da tensão, mantendo algum prêmio de risco antes de recuar para US$ 62,00 por barril no segundo semestre de 2026. Porém, um conflito interno no Irã ou um conflito regional manteria o preço do petróleo em alta por mais tempo.

A Leggio Consultoria estima que o preço do petróleo deve continuar volátil e oscilar entre US$ 80,00 e US$ 100,00 por barril após o ataque norte-americano ao Irã, e a consequente retaliação. Tudo vai depender do período em que o estreito de Ormuz permanecer fechado. Se o acesso ficar bloqueado por mais de 40 dias, há risco de faltar petróleo no mundo. O atual conflito impacta diretamente o Estreito de Ormuz, por onde é exportada 15% da produção mundial de petróleo. Deste volume, cerca de 80% vão para a Ásia, principalmente China, Índia, Japão e Coreia. Com as ameaças do governo iraniano de atacar navios que passarem por este estreito, as petroleiras suspenderam a navegação no trecho. O estreito poderá estar completamente fechado no caso do uso de minas subaquáticas, que exigem um tempo longo para recuperação da navegabilidade, ou restrito a partir do momento em que o risco para embarcações se torna elevado, aumentando o seguro e frete destas cargas e reduzindo o interesse de armadores em realizar este transporte.

O impacto pode variar significativamente conforme o tempo em que a passagem permanecer interrompida. No caso de um período curto, de até 10 dias, pode haver volatilidade do preço, chegando até US$ 100,00 por barril, mas de forma temporária. Cerca de 35% do volume exportado passa pelo Estreito de Ormuz para abastecer, porém, os estoques de petróleo na China, Japão e Coreia estão entre 100 e 200 dias de importação. Logo, este volume suprirá o período. A situação da Índia é mais complicada, pois seus estoques estão em torno de 60 dias. Se a interrupção do Estreito se prolongar por até 40 dias, outras regiões, como Estados Unidos e União Europeia poderiam consumir seus estoques também, reduzindo a pressão de demanda e, com isso, contendo a alta de preços. Porém, neste caso, é esperada uma volatilidade maior na cotação, ao redor de US$ 100,00 por barril.

O pior cenário, e o menos provável, é uma indefinição do prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz, prolongando a situação por mais de 40 dias, o que causaria uma falta estrutural de petróleo no mundo. Os estoques estratégicos não serão suficientes para segurar os preços, não pelo volume de importação, mas porque 15% do volume de produção mundial passa pela região. É até difícil mensurar o que poderia acontecer. Não há possibilidade de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentar a produção a ponto de compensar a oferta. Primeiro que os principais países produtores são Arábia Saudita, Emirados Árabes, Iraque e Irã e todos estão sendo afetados pelo Estreito de Ormuz. Além disso, outros países do mundo produzem menos e não têm a agilidade para repor 15 milhões de barris/dia. Para se ter uma ideia, uma unidade de produção de grande volume produz entre 150 mil e 200 mil barris/dia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.