ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

27/Feb/2026

Combustíveis: previsão da demanda no Brasil em 2026

A StoneX revisou para cima suas estimativas para o mercado de combustíveis leves em 2026 e projeta que o consumo do Ciclo Otto ultrapasse 62,8 bilhões de litros, o que representaria um crescimento de 2,1% na comparação anual e um novo recorde da série. A perspectiva mais positiva reflete um ambiente macroeconômico mais favorável e a expectativa de maior competitividade do etanol ao longo do ano. A revisão está amparada em projeções mais robustas para a economia. As primeiras projeções indicam crescimento da renda real e do consumo das famílias acima de 2% ao ano em 2026, superando estimativas anteriores. Esse ambiente tende a sustentar um avanço mais consistente da demanda por combustíveis leves. Pelos números consolidados para o Brasil, a gasolina C deve atingir 47,2 bilhões de litros em 2026, alta de 1,3% sobre 2025. O etanol hidratado deve avançar 4,6%, alcançando 22,2 bilhões de litros. Com isso, a participação do biocombustível no mercado nacional tende a subir de 23,8% para 24,8%.

Regionalmente, o Centro-Sul deve registrar consumo de 47,3 bilhões de litros no Ciclo Otto, crescimento de 2,1%. Na região, a gasolina deve somar 33,4 bilhões de litros (+1,3%), enquanto o hidratado pode chegar a 19,8 bilhões de litro, avanço de 3,8%. No Norte-Nordeste, o mercado total deve alcançar 15,5 bilhões de litro (+2,3%), com destaque para a expansão de 12,1% nas vendas de etanol hidratado, estimadas em 2,4 bilhões de litros. O movimento ocorre após um 2025 acima do esperado. No ano passado, as vendas do Ciclo Otto somaram 61,5 bilhões de litros, crescimento de 3,1% ante 2024. Dezembro foi o principal destaque, com vendas em gasolina equivalente superiores a 6 bilhões de litros, alta de 9,2% na comparação anual. A gasolina C avançou 12,8% no mês, para 4,63 bilhões de litros, melhor resultado da série histórica. Parte desse desempenho pode estar ligada à antecipação de compras antes do reajuste de R$ 0,10 por litro no ICMS em janeiro de 2026.

Além disso, revisões recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) elevaram os volumes de demanda entre agosto e outubro, reforçando o ritmo de crescimento observado no segundo semestre. No detalhamento do etanol, a expectativa é de retomada do crescimento em 2026 após um 2025 de retração. O consumo de hidratado encerrou o ano passado em 20,5 bilhões de litros no Brasil, queda de 2,3% frente a 2024, mas deve reagir com o aumento da oferta na safra 2026/2027. O novo ciclo será marcado por produção recorde. A safra 2026/2027 deve apresentar um mix mais alcooleiro diante da forte queda nos preços do açúcar, tornando o etanol mais vantajoso para as usinas na primeira metade do ano e ampliando a oferta do biocombustível. A partir de abril, com o início da nova safra, a expectativa é de paridades mais favoráveis ao etanol. Em São Paulo, a paridade média estimada para 2026 é de 66,3%, ante 67,1% em 2025, reforçando a competitividade do hidratado frente à gasolina. Outro vetor relevante para 2026 é a expansão do etanol de milho.

A StoneX identifica 20 potenciais novas unidades no País, sendo oito no Norte-Nordeste. A nova capacidade instalada deve acrescentar cerca de 1,7 bilhão de litros ao Centro-Sul e 1 bilhão de litros ao Norte-Nordeste na safra 2026/2027. O avanço do etanol de milho será decisivo. Além de suprir a demanda adicional gerada pelo aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que cria consumo incremental de quase 1,4 bilhão de litros em 2026, o crescimento dessa produção amplia a competitividade do biocombustível, principalmente na segunda metade do ano. Atualmente, o etanol de milho já representa cerca de 30% da oferta no Centro-Sul e aproximadamente 35% no Norte-Nordeste. Até o fim da década, o número de usinas poderá chegar a 79, com capacidade nacional estimada em 26,4 bilhões de litros, consolidando uma mudança estrutural no equilíbrio entre gasolina e etanol no mercado brasileiro.

De acordo com estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda brasileira por combustíveis entrará em rota de forte expansão nos próximos dois anos. Projeções do setor apontam consumo adicional de 3,5 bilhões de litros de derivados líquidos e de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em 2026, seguido de mais 3,1 bilhões em 2027, sinalizando vigor na economia doméstica. O avanço tem como pano de fundo a combinação de PIB per capita em alta desde 2024, inflação cadente e alimentos mais baratos, além de recordes de emprego formal e renda real. Programas como o Novo PAC e o Gás do Povo reforçam a injeção de recursos, enquanto a nova faixa de isenção do IRPF eleva a renda disponível das famílias. Com o agronegócio embalado por safra histórica de grãos, a procura por diesel deve atingir 72 bilhões de litros em 2026, impulsionando a logística e a indústria.

No ciclo Otto, o consumo projetado para o mesmo ano chega a 64 bilhões de litros. A boa colheita de cana 2025/2026 e o salto do etanol de milho asseguram uma oferta robusta de biocombustíveis, mantendo elevada a participação do etanol hidratado. O setor aéreo também retoma fôlego. A demanda por querosene de aviação (QAV) deve ultrapassar, em 2026, o pico de 2014, superando 7,5 bilhões de litros e sinalizando recuperação sustentada do transporte de passageiros. O GLP, apoiado pelo Gás do Povo, pleno emprego e maior renda disponível, aponta para o crescimento do consumo doméstico, que deverá evoluir de forma consistente, abrindo espaço para novas aplicações e atraindo investimentos em ampliação de mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.