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26/Feb/2026

Açúcar: mix de equilíbrio e o piso de preço em 2026

A Hedgepoint Global Markets projeta um cenário de oferta excedente no mercado global de açúcar nas safras 2025/2026 e 2026/2027. Esse quadro reforça uma visão estruturalmente baixista para a commodity. A discussão sobre o piso do açúcar passa, necessariamente, pela definição do mix das usinas do Centro-Sul. A recuperação da competitividade do etanol frente ao açúcar indica uma tendência de mix menos açucareiro. Ainda assim, o ajuste não é simples.

A safra 2025/2026 no Brasil superou as expectativas do mercado, além de recuperação na Índia, Tailândia, China e outros países. Tudo isso gera um contexto de superávit. Caso o Centro-Sul opte por um cenário de max sugar (estratégia das usinas de direcionar o máximo possível da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, reduzindo a fabricação de etanol) em 2025/2026, o excedente no fluxo comercial global poderia chegar a 3,5 milhões de toneladas, o que levaria os preços a uma nova rodada de quedas.

Para zerar o excedente e equilibrar o fluxo de comércio global, o mix deveria atingir 46,2% de açúcar e 53,8% de etanol. No entanto, esse equilíbrio cria outro desafio: estoques. Se o Centro-Sul optar por um max sugar, terá déficit de estoque de etanol. Se for para 46,2% de açúcar, haverá superávit de etanol hidratado. Nesse caso, a solução seria criar demanda para o hidratado. Considerando crescimento de 2,5% do ciclo Otto (que reúne veículos leves movidos a gasolina e etanol), seria necessário reduzir o preço do etanol para estimular a migração do consumo da gasolina para o hidratado

Em São Paulo, isso significaria uma queda de aproximadamente R$ 3,00 por litro para R$ 2,30 por litro na usina. Esse movimento estabelece o piso técnico do açúcar. O piso é o valor do açúcar que gera demanda de hidratado e resolve o trade flow. Esse piso é 13,50 centavos de dólar por libra-peso. Apesar de enxergar a proporção de 46,2% para o açúcar como ideal, há restrições físicas que vão impedir que esse volume seja atingido, são elas:

- Hedges já fixados: muitas usinas venderam açúcar antecipadamente a preços mais altos e não devem rever posições.

- Resposta lenta da demanda: o consumo de etanol não reage imediatamente à queda de preços.

- Transmissão gradual até a bomba: reduções na usina não chegam automaticamente ao consumidor.

- Comportamento do consumidor: nem todos seguem a regra dos 70% na comparação com a gasolina.

Diante dessas restrições, a Hedgepoint projeta um mix mais próximo de 48% - 48,5% de açúcar. Esse patamar ainda implicaria superávit de cerca de 1,5 milhão de toneladas no fluxo global, sustentando preços na faixa de 14,00 a 15,00 centavos de dólar por libra-peso, com viés baixista. Fonte: Money Times. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.