18/Feb/2026
A elevada produção nas principais origens globais segue pressionando os preços internacionais do açúcar, mas riscos pontuais começam a surgir e podem limitar novas quedas, segundo relatório mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Na Índia, a safra 2025/26 alcançou 15,9 milhões de toneladas até 15 de janeiro, alta de 21,6% na comparação anual. Apesar do desempenho robusto, circulam no mercado indicações de possíveis perdas no sul do país, que poderiam reduzir a produção entre 1 e 2 milhões de toneladas abaixo das estimativas atuais. As exportações também seguem lentas: das 1,5 milhão de toneladas liberadas, apenas 200 mil toneladas foram efetivamente embarcadas, reflexo das cotações internacionais mais baixas.
Outro ponto de atenção envolve o possível reajuste do Preço Mínimo de Sustentação do açúcar na Índia, hoje ao redor de US$ 344 por tonelada. Um aumento entre 10% e 20% poderia tornar as exportações deficitárias e reduzir a disponibilidade no mercado externo, oferecendo algum suporte às cotações globais.
Na Tailândia, a produção evolui abaixo do inicialmente projetado. A estimativa, antes próxima de 11 milhões de toneladas, pode convergir para cerca de 10,4 milhões de toneladas, diante de moagem mais lenta e incidência de doenças nos canaviais. Até 19 de janeiro, o volume acumulado estava próximo de 3,2 milhões de toneladas, queda de 16% na comparação anual.
Em contrapartida, no México e em países da América Central, a produtividade agrícola supera a do ciclo anterior, ampliando a oferta regional e compensando parcialmente as perdas asiáticas.
No Brasil, o encerramento da safra 2025/26 no Centro-Sul (oficialmente em março de 2026) e as perspectivas para a temporada seguinte contribuíram para a pressão sobre os preços em janeiro. O mercado passou a monitorar com maior atenção o clima na região. Apesar de condições favoráveis no fim de 2025, houve maior restrição hídrica no início de 2026, especialmente em São Paulo.
Caso episódios de seca se intensifiquem nas próximas semanas, podem ocorrer revisões baixistas nas estimativas de moagem da safra 2026/27, atualmente projetada em 620 milhões de toneladas. Nesse cenário, mesmo diante de oferta global abundante, o surgimento de riscos climáticos e regulatórios pode contribuir para a formação de um piso nas cotações internacionais.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.