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13/Feb/2026

Etanol: aumento da oferta pode pressionar preços em 2026

O mercado brasileiro de etanol deve enfrentar um cenário de pressão descendente sobre os preços em 2026, com estimativas apontando para uma redução de até cerca de 10% em relação aos níveis observados em 2025. Essa perspectiva decorre de vários fatores que ampliam a oferta de biocombustível no País.

Principais fatores que podem reduzir preços

Expansão da oferta de etanol:

O aperto entre oferta e demanda que elevou preços em 2025 está sendo revertido, com expectativa de maior produção em 2026. Isso inclui aumento da produtividade nos canaviais e um mix mais voltado para a produção de etanol (a chamada “mistura alcooleira”), que pode subir de cerca de 49% para 54%. Também há crescimento expressivo (estimado em cerca de 17%) da capacidade de produção de etanol de milho, que injeta mais biocombustível no mercado.

Perspectiva de redução dos preços da gasolina:

Analistas do Morgan Stanley projetam queda nos preços da gasolina no Brasil em 2026 — em parte devido ao cenário internacional e ao contexto eleitoral — em torno de 9%. Como a paridade de preços entre etanol e gasolina é um dos principais determinantes da competitividade do biocombustível, essa redução tende a empurrar o preço do etanol para baixo também.

Projeções de paridade de preços:

A paridade etanol-gasolina, que mede a competitividade do biocombustível (quanto ele custa em relação à gasolina que poderia ser substituída), deve recuar de cerca de 69% em 2025 para aproximadamente 67,7% em 2026, segundo estimativas. Dados de consultorias apontam ainda que, em São Paulo, a paridade pode ficar em cerca de 64,9% em 2026/27, abaixo das médias recentes, o que tende a favorecer a queda de preços e elevar a demanda.

Implicações do cenário

Os estoques de etanol hidratado no final de março ainda devem ser relativamente enxutos após o entressafra, o que historicamente mantém algum suporte de preço no curto prazo. Mas assim que a safra começar e a produção se intensificar a partir de abril, os preços tendem a cair conforme a oferta se amplia.

A combinação de maior produção de etanol de cana, crescimento expressivo do etanol de milho e uma gasolina mais barata pode reduzir margens de usinas e pressionar preços ao consumidor, reforçando o papel de paridade energética entre etanol e combustíveis fósseis.