06/Feb/2026
As projeções para o mercado internacional de açúcar indicam a possibilidade de formação de um excedente global de até 4 milhões de toneladas até o primeiro trimestre de 2027, cenário que tende a manter as cotações próximas ao piso do ciclo. A leitura reflete a combinação de produção robusta no Centro-Sul do Brasil e melhora das safras no Hemisfério Norte, reforçando um ambiente prolongado de excesso de oferta no mercado internacional.
Considerando uma moagem potencial de até 630 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27 no Centro-Sul e a manutenção do mix de açúcar em torno de 50,6%, a produção poderia atingir aproximadamente 42,4 milhões de toneladas, com exportações estimadas em cerca de 33,5 milhões de toneladas. Nesse cenário, os fluxos comerciais globais tenderiam a acumular excedentes relevantes, ampliando o viés baixista para os preços ao longo do ciclo.
Para neutralizar esse volume adicional, o mix de açúcar teria de recuar para algo próximo de 46,2%, o que implicaria maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol e ajustes relevantes na dinâmica de consumo de combustíveis. A alternativa mais direta de reequilíbrio envolveria a redução dos preços do etanol hidratado, estimulando a migração do consumo da gasolina C para o biocombustível.
Nesse contexto, a participação do etanol hidratado na demanda total de combustíveis do Centro-Sul poderia avançar de cerca de 36% para 39,3%, enquanto no Norte e Nordeste subiria de aproximadamente 13,2% para 14,2%. Em São Paulo, os preços ex-usina do hidratado teriam de recuar de patamares próximos a R$ 3,00 por litro para uma faixa entre R$ 2,30 e R$ 2,50 por litro, o que corresponderia a um piso equivalente ao redor de 13,50 cents por libra-peso para o açúcar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.