06/Feb/2026
Os preços internacionais do açúcar seguem sob pressão e a tendência é de manutenção do viés de baixa ao longo da safra 2026/2027, diante da perspectiva de novo superávit global e de incertezas quanto ao crescimento da demanda. O cenário reflete a combinação entre oferta elevada, maior previsibilidade climática e maior flexibilidade industrial no principal país produtor.
Com condições climáticas favoráveis, a produção de cana-de-açúcar tende a crescer em relação ao ciclo anterior, reforçando a expectativa de disponibilidade elevada de matéria-prima. Esse movimento ocorre em um contexto de segundo ano consecutivo de excedente no balanço global, o que mantém o sentimento baixista nos mercados futuros.
Apesar do risco de fortalecimento do fenômeno El Niño no Sudeste Asiático no segundo semestre, a avaliação predominante é de que eventuais impactos sobre os preços serão limitados. Entre os fatores de contenção estão a elevada capacidade de cristalização disponível no Brasil, que permite rápida conversão de caldo em açúcar, e as restrições às exportações impostas por grandes produtores asiáticos, que ajudam a evitar choques abruptos de oferta.
Nos níveis atuais de preços, a tendência é de que as usinas brasileiras priorizem o etanol no início da safra de cana-de-açúcar. Essa estratégia reduz o comprometimento antecipado com contratos de açúcar e amplia a flexibilidade do mix produtivo, permitindo ajustes mais rápidos conforme as condições de mercado. A expansão da produção de etanol de milho também contribui para esse ambiente, ao reforçar a oferta total de biocombustíveis.
Diante desse conjunto de fatores, o mercado de açúcar deve permanecer volátil em 2026/27, mas com inclinação predominante para preços mais baixos, sustentada por oferta robusta, crescimento moderado da demanda e maior capacidade de resposta da indústria às oscilações do mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.