ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

05/Feb/2026

Açúcar deve ter superávit global elevado em 2025/2026

O mercado global de açúcar caminha para um expressivo superávit na safra 2025/26, estimado em 8,3 milhões de toneladas, o segundo maior desde 2017/18, em função da combinação entre produção elevada e crescimento ainda moderado do consumo. Para a safra 2026/27, as projeções iniciais indicam redução do excedente para cerca de 3,4 milhões de toneladas, refletindo ajustes esperados na oferta e alguma recuperação da demanda.

A produção mundial de açúcar em 2025/26 é projetada em 186,7 milhões de toneladas, após revisão positiva de 1,3 milhão de toneladas frente à estimativa anterior. Caso confirmada, essa será a segunda maior produção já registrada, impulsionada principalmente por ganhos em países da Ásia e da União Europeia, beneficiados por condições climáticas mais favoráveis e melhora nos rendimentos agrícolas.

Na China, a produção foi revisada para 12 milhões de toneladas, sustentada por clima positivo em regiões produtoras do sul do país, o que elevou a produtividade. Ainda assim, a rentabilidade mais fraca do setor industrial pode limitar o suporte aos produtores e reduzir a área plantada no próximo ciclo, com potencial retorno da produção para cerca de 11,7 milhões de toneladas em 2026/27.

Na Tailândia, as projeções indicam redução da produção na próxima temporada, diante da migração de produtores para culturas mais rentáveis, como a mandioca, além de margens mais apertadas que restringem o uso de insumos e podem afetar a produtividade. No Brasil, o equilíbrio entre açúcar e etanol ganha relevância para a definição do mix industrial. Apesar da expectativa de moagem maior de cana em 2026/27, revisada para 621 milhões de toneladas, a produção de açúcar é projetada em 40 milhões de toneladas, cerca de 700 mil toneladas abaixo da estimativa anterior, em função de uma possível redução da participação do adoçante no mix.

Do lado da demanda, o consumo global foi levemente ajustado para cima em 2025/26, para 178,5 milhões de toneladas, enquanto para 2026/27 a estimativa preliminar aponta crescimento de cerca de 2 milhões de toneladas. Esse avanço é atribuído à recomposição gradual dos estoques e à queda das cotações internacionais, atualmente próximas da metade do pico observado em 2023, o que tende a estimular o consumo após um período de retração provocado pela inflação elevada dos alimentos.

Mesmo com essa recuperação parcial, fatores estruturais seguem limitando o crescimento da demanda global, como maior conscientização sobre o consumo de açúcar, regulações mais rígidas para alimentos e bebidas açucarados e a expansão do uso de medicamentos da classe GLP-1, que tendem a reduzir a ingestão calórica ao longo do tempo.

Entre os grandes produtores, a Índia deve alcançar produção de 32,8 milhões de toneladas em 2025/26, com início de safra considerado forte. Apesar de relatos pontuais de impactos negativos sobre os rendimentos em áreas específicas, o quadro geral segue apontando para oferta confortável no país, sem mudanças relevantes no balanço global no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.