03/Feb/2026
A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2026/27 foi revisada para baixo, com estimativa de 40,0 milhões de toneladas, redução de 700 mil toneladas em relação à projeção anterior. A revisão foi apresentada em levantamento atualizado pela Czarnikow e reflete, principalmente, a expectativa de diminuição do mix açucareiro, em um contexto de preços do açúcar nos menores níveis dos últimos cinco anos e maior incerteza quanto à atratividade relativa do etanol.
A moagem de cana no Centro-Sul é projetada em 623 milhões de toneladas em 2026/27, acima das 610 milhões de toneladas estimadas para 2025/26 e em linha com o volume registrado em 2024/25. Esse avanço é sustentado por condições climáticas mais favoráveis, mas não é suficiente para compensar o menor direcionamento da matéria-prima para a produção de açúcar.
O ambiente atual indica maior sensibilidade das decisões de mix aos sinais de mercado, com menor previsibilidade em relação à maximização da produção açucareira. Esse cenário se assemelha ao observado no período anterior a 2023, quando a alocação da cana entre açúcar e etanol respondia de forma mais direta às condições de preços e margens relativas.
O mix de açúcar foi projetado em 48,3% para a safra 2026/27, abaixo dos 50,5% estimados para 2025/26 e próximo ao patamar de 48% observado em 2024/25. Com isso, mesmo diante de uma moagem maior, a produção de açúcar recua de 40,5 milhões de toneladas em 2025/26 para 40,0 milhões de toneladas na próxima safra.
A produção de etanol de cana no Centro-Sul é estimada em 26,3 bilhões de litros em 2026/27, acima dos 24,4 bilhões de litros projetados para 2025/26 e próxima aos 26,8 bilhões de litros registrados em 2024/25. Esse movimento ocorre paralelamente à expansão contínua do etanol de milho, cuja produção é estimada em 10,6 bilhões de litros em 2026/27, ante 9,3 bilhões de litros em 2025/26 e 8,2 bilhões de litros em 2024/25.
A menor atratividade do açúcar em reais é apontada como fator central da revisão. Os retornos do açúcar no mercado doméstico se situam abaixo de R$ 1.700 por tonelada, nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos. Além disso, os preços spot estão abaixo do custo médio de produção do Centro-Sul, estimado em 16,3 centavos de dólar por libra-peso, o que reduz o incentivo à maximização do mix açucareiro.
Apesar desse cenário de preços, a safra 2026/27 apresenta baixo nível de proteção no mercado futuro. Pouco mais de 20% da produção estimada conta com preços fixados, e praticamente não houve novas fixações nos últimos dois meses. A cautela reflete a relutância das usinas em travar preços abaixo do custo de produção, ampliando a incerteza quanto à configuração final do mix.
O ATR médio do Centro-Sul é projetado em 139,6 kg por tonelada em 2026/27, acima dos 137,8 kg por tonelada estimados para 2025/26, mas ainda abaixo dos 141 kg por tonelada registrados em 2024/25. Esse fator também limita um crescimento mais expressivo da produção de açúcar, mesmo em um cenário de maior moagem.
Mesmo com a revisão para baixo no Brasil, a avaliação é de que o corte não altera de forma significativa o balanço global de açúcar. A redução de 700 mil toneladas no Centro-Sul não é suficiente para eliminar o excedente global projetado, e o impacto efetivo sobre a disponibilidade de açúcar bruto no comércio internacional tende a ser ainda mais limitado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.