03/Feb/2026
O mercado spot de etanol no estado de São Paulo encerrou janeiro com ritmo de negócios bastante lento, o que resultou na estabilização dos preços do etanol hidratado após cerca de três meses consecutivos de alta. No caso do etanol anidro, os valores recuaram no final do mês, após cinco semanas seguidas de avanço, refletindo ajustes pontuais em um ambiente de menor liquidez.
A menor atividade no mercado spot esteve associada à postura cautelosa das distribuidoras, que ainda operavam com volumes adquiridos semanas antes, período marcado por negociações volumosas no encerramento de 2025. Para fevereiro, a expectativa é de retomada gradual da demanda, impulsionada pelo retorno das aulas escolares e pela proximidade do recesso de carnaval, fatores que tendem a elevar o consumo de combustíveis.
Do lado da oferta, a disponibilidade de etanol permaneceu bastante restrita durante a entressafra, limitando a participação das usinas no mercado spot. Enquanto algumas unidades produtoras se encontram sem estoques, outras priorizam o cumprimento de contratos previamente firmados, o que reduz a oferta livre e contribui para a estabilidade dos preços, mesmo em um ambiente de menor volume negociado.
Entre 26 e 30 de janeiro, o volume de etanol hidratado negociado no spot paulista foi 32,7% menor que o registrado na semana anterior, evidenciando a retração da liquidez. Nesse mesmo período, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado no estado de São Paulo fechou em R$ 3,0885/litro, valor líquido de ICMS e PIS/Cofins, representando leve alta de 0,05% em relação ao intervalo anterior. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ encerrou a R$ 3,4722/litro, líquido de impostos e sem PIS/Cofins, com recuo de 1,85% na mesma base de comparação.
No mercado físico, a média semanal do Indicador diário ESALQ/BM&FBovespa para Paulínia (SP) foi de R$ 3.168,00/m³, sem variação frente ao período anterior. No acumulado de janeiro, esse indicador registrou avanço de 3,87%, sinalizando preços firmes ao longo do mês, apesar da desaceleração dos negócios no encerramento do período.
As paridades de preços mostraram estreita relação entre os mercados. O valor do açúcar ficou apenas 0,83% acima do etanol hidratado, enquanto, no caso do etanol anidro, o preço foi 6,41% superior ao do açúcar. Entre os dois biocombustíveis, o anidro apresentou preço 7,7% acima do hidratado no mercado paulista, reforçando o diferencial observado ao longo da entressafra.
Após as altas no segmento produtor, os repasses ao consumidor final continuaram sendo observados. Entre 25 e 31 de janeiro, o preço médio da gasolina nos postos foi de R$ 6,18 por litro, enquanto o etanol hidratado foi comercializado a R$ 4,46 por litro, resultando em uma relação etanol/gasolina de 72,16%, patamar que influencia diretamente a competitividade do biocombustível nas bombas.
No mercado internacional de energia, o primeiro vencimento do petróleo tipo crude oil apresentou média de US$ 63,37 por barril, alta de 5,01% em relação à semana anterior. O petróleo tipo Brent registrou média de US$ 68,59 por barril, avanço de 7,06% no mesmo comparativo. Já a gasolina negociada via contrato RBOB teve média semanal de US$ 1,8841 por galão, valorização de 2,54% frente ao período anterior, contribuindo para o ambiente de sustentação dos combustíveis.
No balanço mensal, janeiro, primeiro mês da entressafra, encerrou com preços firmes em São Paulo. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado foi de R$ 3,0399/litro, alta de 4,52% frente a dezembro. Para o etanol anidro, considerando mercado spot e contratos, a média foi de R$ 3,4152/litro, avanço de 5,08% na mesma comparação. Em termos reais, os aumentos acumulados em um ano alcançaram 11% para o hidratado e 12,1% para o anidro, com valores deflacionados pelo IGP-M de janeiro.
O volume de etanol hidratado negociado ao longo de janeiro ficou abaixo do observado em dezembro, com maior movimentação concentrada apenas no início do mês. Dados preliminares indicam que o volume interno de etanol hidratado no Brasil totalizou 21,2 bilhões de litros em 2025, retração de 2,32% em relação ao ano anterior. Já a gasolina A apresentou desempenho robusto no mesmo período, somando 46,6 bilhões de litros, crescimento de 5,02%, impulsionado pelo maior uso de etanol anidro a partir de agosto de 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.