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03/Feb/2026

Açúcar: corte na produção do Brasil reduz superávit

A StoneX cortou em cerca de 1 milhão de toneladas a projeção de produção de açúcar do Brasil na safra 2025/2026, somando as regiões Centro-Sul e Norte-Nordeste. A revisão foi provocada pela reversão do mix açucareiro em direção ao etanol, que passou a remunerar melhor desde agosto. O ajuste brasileiro diminuiu a estimativa de superávit global de açúcar de 3,7 milhões para 2,9 milhões de toneladas, redução de quase 800 mil toneladas, mas mantém o cenário de oferta confortável no mercado internacional. No Centro-Sul, a produção de açúcar foi revisada para 40,7 milhões de toneladas em 2025/2026, ante os 40 milhões de toneladas projetados em novembro. A região superou 600 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas no ciclo, com moagem revisada para 608,2 milhões de toneladas. O etanol hidratado passou a remunerar mais do que o açúcar desde agosto em alguns Estados, revertendo rapidamente o mix. O etanol de milho deve atingir 9,4 bilhões de litros, alta de quase 15%.

No Norte-Nordeste, o movimento em direção ao etanol foi ainda mais intenso. O mix açucareiro recuou para 45%, pressionado pela melhor remuneração do biocombustível, levando a produção a 3 milhões de toneladas, queda de 18,1% sobre o ciclo anterior. Projetos de etanol de milho no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) devem elevar a produção regional a mais de 1,2 bilhão de litros em 2025/2026. Para 2026/2027, a StoneX projeta mudança estrutural no direcionamento industrial do Centro-Sul, com usinas priorizando o etanol diante da queda nos preços do açúcar em 2025 e valorização do biocombustível. O mix açucareiro deve recuar para 49,6%, redução que deve cortar cerca de 800 mil toneladas da produção estimada anteriormente. Ainda que a estimativa seja de que os preços do açúcar devam voltar a remunerar melhor o produtor em São Paulo principalmente a partir de maio/junho de 2026, com a queda dos preços do biocombustível no pico de safra, o contexto atual já deverá ser responsável por uma redução considerável no mix açucareiro.

A moagem prevista se mantém em 620,5 milhões de toneladas, avanço de 2,1% sobre 2025/2026, mas o TCH foi revisado de 77,5 para 75,9 toneladas por hectare. A área colhida deve alcançar 8,17 milhões de hectares. Com o corte na safra brasileira, a produção de açúcar nas Américas deve cair 1,3% em 2025/2026. No México, a produção foi mantida em 5,1 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, a queda na beterraba foi compensada por recorde no açúcar de cana, mantendo a produção estável em 8,5 milhões de toneladas. Os estoques globais devem crescer 4%, atingindo 76,7 milhões de toneladas, elevando a relação estoque/uso a 39,6%, acima da média quinquenal de 39%. A produção total foi estimada em 196,7 milhões de toneladas, enquanto a demanda deve atingir 193,8 milhões de toneladas, avanço de 0,5%. No ciclo 2025/2026, o desempenho global foi misto. Tailândia e China enfrentaram atrasos expressivos, enquanto a Europa registrou produção acima do previsto, especialmente na União Europeia e na Ucrânia.

Na Índia, a safra avança conforme o esperado, impulsionada pelo ritmo acelerado de colheita em Maharashtra. Até a primeira quinzena de janeiro, a Índia processou 176 milhões de toneladas de cana, alta de 19% ante o ciclo anterior. A produção soma 15,9 milhões de toneladas, avanço de 22%. A StoneX projeta 32,3 milhões de toneladas no encerramento da temporada, mesmo destinando 3,5 milhões de toneladas ao etanol. As exportações seguem lentas, com apenas 200 mil toneladas embarcadas da cota autorizada de 1,5 milhão de toneladas. A safra da Tailândia enfrenta atrasos por causa do excesso de chuvas no início da colheita e das restrições à moagem de cana queimada. Até 26 de janeiro, foram processadas 40 milhões de toneladas, queda de 12% na comparação anual. A produção de açúcar foi revisada de 11,4 milhões para 10,5 milhões de toneladas diante do risco de menor recuperação de sacarose. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.