21/Jan/2026
A Fitch Ratings avalia que o possível redirecionamento das exportações de petróleo da Venezuela pode impulsionar, no curto e médio prazo, as já elevadas tarifas de transporte marítimo de petroleiros. O movimento seria consequência da migração do uso da chamada “frota fantasma” para a frota convencional, em meio a mudanças geopolíticas e comerciais envolvendo o país sul-americano, aponta a agência de classificação de risco. Qualquer mudança semelhante no transporte do petróleo iraniano, hoje majoritariamente feito por navios da frota fantasma, também representaria um risco de alta adicional para as tarifas.
Por outro lado, a retomada do tráfego pelo Canal de Suez e um eventual enfraquecimento do crescimento econômico global figuram entre os principais fatores que podem pressionar as taxas para baixo. A retomada do trânsito pelo Canal de Suez é o principal risco para as tarifas globais de frete em todos os segmentos do transporte marítimo, incluindo petroleiros e contêineres. Um acordo recente com os Estados Unidos indica que o transporte do petróleo venezuelano deve passar gradualmente a utilizar petroleiros convencionais.
A Venezuela respondeu por cerca de 0,8% da produção global de petróleo em novembro de 2025 e por aproximadamente 1% do transporte marítimo mundial de petróleo. Os volumes globais de petróleo dificilmente mudarão rapidamente, já que qualquer aumento significativo na produção venezuelana e, consequentemente, no transporte, levará bastante tempo. Mesmo sem uma elevação imediata da oferta global, a o mercado de frete deve sentir os efeitos do redirecionamento, sobretudo por mudanças nas chamadas “toneladas-milha” (métrica que combina volume transportado e distância percorrida).
Parte do petróleo deslocado pelo óleo venezuelano, potencialmente de outros países da América Latina ou do Canadá, continuará a ser transportada por navios, provavelmente também para a China, o que tende a sustentar as tarifas. A volatilidade associada a focos geopolíticos, incluindo Venezuela e Irã, tende a levar compradores de petróleo a diversificar suas fontes de suprimento, o que sustenta a demanda por transporte marítimo e os ganhos de armadores e operadores de petroleiros. Ainda, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20/01) que as petrolíferas norte-americanas estão preparando "investimento massivo" na Venezuela. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.