15/Jan/2026
Segundo análise da Czarnikow, a safra robusta de açúcar na Índia em 2025/2026 deve manter os preços domésticos pressionados e, apesar da melhora recente nas margens, ainda não cria condições para exportações em larga escala. Apenas uma alta adicional dos preços internacionais permitiria o escoamento integral da cota autorizada pelo governo, enquanto o desvio de açúcar para etanol tende a ganhar força apenas a partir do próximo ciclo. Com pouco mais de dois meses de moagem da cana-de-açúcar, a Czarnikow projeta que a produção indiana cresça 25% em relação ao ciclo anterior, alcançando 32,8 milhões de toneladas.
Até o fim de dezembro, as usinas já haviam processado 11,8 milhões de toneladas, volume 24% superior ante igual período da safra passada, sustentado por maior volume de cana-de-açúcar processada e por taxas de recuperação mais elevadas. A entrada dessa oferta no mercado doméstico tem pressionado os preços. Os valores pagos diretamente às usinas indianas pelo açúcar diminuíram 5% desde setembro, enquanto a desvalorização da rúpia ampliou a queda quando os preços são convertidos em dólar. Esse movimento melhorou a atratividade das exportações de açúcar branco. O governo indiano autorizou embarques de 1,5 milhão de toneladas, com sinalização de volumes adicionais a partir de março. À medida que os preços domésticos caíram, as margens para exportação de açúcar branco de menor qualidade a partir de Maharashtra voltaram a ser positivas.
Até agora, cerca de 100 mil toneladas foram exportadas, majoritariamente para mercados do sul da Ásia e da África Oriental. Ainda assim, a o atual nível de preços globais é insuficiente para permitir embarques mais amplos. Os preços internacionais precisariam estar significativamente mais altos para que a Índia exporte todo o volume autorizado de 1,5 milhão de toneladas. Custos logísticos adicionais reduzem ainda mais a competitividade. No caso do açúcar bruto, para que as exportações se equiparem ao mercado doméstico, seriam necessários preços dos futuros entre 17,00 e 18,00 centavos de dólar por libra-peso. Mesmo assim, as usinas ainda teriam perdas de 2,00 a 3,00 centavos de dólar por libra-peso. Assim, a previsão é e que a Índia não exporte açúcar bruto nesta safra. A pressão sobre os preços internos também reacendeu pedidos da indústria por um aumento do preço mínimo de sustentação (MSP).
Um ajuste no MSP fortaleceria a posição financeira das usinas, mas teria impacto negativo sobre as exportações. Um MSP mais alto exigiria uma alta ainda maior dos preços internacionais para que os embarques fossem viáveis, além de reduzir o incentivo à venda de estoques no mercado externo. No etanol, os sinais de melhora são graduais. O primeiro leilão do programa de mistura de combustíveis indica que apenas 3,5 milhões de toneladas de açúcar devem ser desviadas para a produção de etanol em 2025/2026, abaixo das 5 milhões de toneladas defendidas pelo setor. Ainda assim, com a queda dos preços do açúcar, os incentivos para a conversão de sacarose em etanol estão melhorando, sobretudo em Maharashtra e Karnataka. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.