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12/Jan/2026

Açúcar: Mercosul-UE desagrada produtores da UE

Entidades que representam o setor europeu de açúcar de beterraba criticaram duramente a adoção, pelo Conselho da União Europeia, do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, afirmando que o pacto coloca em risco a competitividade e a sustentabilidade da produção no bloco. Em comunicado conjunto, a Associação Europeia dos Fabricantes de Açúcar (CEFS) e a Confederação Internacional dos Produtores Europeus de Beterraba (CIBE) alertaram que o acordo permitirá a entrada de até 190 mil toneladas de açúcar bruto isentas de tarifas no mercado europeu, produzidas sob padrões considerados "inferiores" aos exigidos na União Europeia.

Segundo as entidades, esse volume equivale à produção anual de uma usina europeia de açúcar de beterraba e se soma a outras concessões de acesso ao mercado feitas na última década. Além disso, quantidades significativas de açúcar brasileiro já ingressam no bloco por meio de cotas e regimes especiais. De acordo com dados da Comissão Europeia, no entanto, 180 mil toneladas das 190 mil citadas pelas entidades fazem parte da cota tarifária existente para o Brasil, e não será criada uma nova cota para o País. As outras 10 mil toneladas representam uma nova cota isenta de tarifas acordada exclusivamente para o Paraguai.

A CEFS e a CIBE afirmaram que o efeito acumulado dessas medidas tende a agravar a pressão sobre o mercado europeu, em prejuízo de agricultores e processadores locais. Desde o fim das cotas de produção em 2017, 20 fábricas de açúcar de beterraba foram fechadas na União Europeia, sendo cinco apenas no último ano, em um contexto de preços baixos. A CIBE afirmou que o acordo não estabelece exigências de reciprocidade nos padrões agrícolas dos países do Mercosul e que isso compromete a competitividade de médio e longo prazo.

As entidades consideram que o acordo é uma "traição" aos produtores europeus por parte da Comissão Europeia e dos Estados-membros. As entidades também criticaram o mecanismo de salvaguarda previsto no acordo, visto como meramente simbólico e sem relevância prática. O mecanismo não oferece proteção e deixaria o setor europeu exposto e sob risco de danos estruturais de longo prazo, afirmam. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.