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07/Jan/2026

Açúcar: preço baixo favorece mix mais alcooleiro

O setor sucroenergético inicia 2026 com um cenário de produção diferente do vivido nas últimas safras no Brasil. Após anos de investimentos em cristalização para maximizar a produção de açúcar, as usinas do Centro-Sul tendem a elevar a participação do etanol no mix, pressionadas pela queda acentuada das cotações internacionais do adoçante e pela perspectiva de margens mais apertadas. Segundo o Itaú BBA, o prêmio do açúcar ficou negativo. Remunera mais fazer etanol do que açúcar. A implicação mais lógica é fazer mais etanol e menos açúcar. A estimativa do banco é de que o mix de açúcar, que nesta safra chegou perto de 51%, deve recuar para 49% em 2026/2027. A mudança de rumo ocorre no momento em que o setor projeta para 2026/2027 uma das maiores safras de cana-de-açúcar da história, com estimativas de moagem de 620 milhões a 640 milhões de toneladas no Centro-Sul. A robustez agrícola, porém, não se traduz em otimismo com os preços.

O açúcar despencou para a faixa de 14,00 a 15,00 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York, queda de 4,9% no ano do contrato mais líquido, enquanto o etanol hidratado se valorizou 10,79% entre dezembro de 2024 e 2025, segundo o Indicador Cepea/Esalq, reforçando o incentivo à produção do biocombustível. Segundo a Archer Consulting, do ponto de vista industrial, não há entraves para a alteração do mix. O Brasil tem capacidade instalada para moer cerca de 750 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e as usinas têm capacidade ociosa para elevar a produção de etanol, sem restrições industriais ou logísticas relevantes. O cenário agrícola também é considerado favorável. O canavial está mais jovem, fruto das renovações dos últimos anos, com área estável e chuvas próximas da média histórica, apesar de alguma irregularidade regional. Com isso, mesmo com um mix menos açucareiro, a produção de açúcar deve seguir elevada.

Segundo a StoneX, a próxima safra deve produzir cerca de 41,5 milhões de toneladas, contra pouco mais de 40 milhões nesta que está terminando. Mais moagem garante mais produção, mesmo com mix menor. Ainda assim, o consenso entre os analistas é de que 2026 será um ano de volumes robustos, mas de rentabilidade pressionada. O ajuste de mix não deve ser suficiente para compensar um mercado global amplamente superavitário. A Hedgepoint estima que o excedente no fluxo de comércio mundial salte para cerca de 4,5 milhões de toneladas em 2025/2026. A safra brasileira foi maior do que o mercado esperava, e Índia, Tailândia, América Central e a Região Nordeste do Brasil também estão indo muito bem. A próxima safra brasileira sinaliza que será ainda maior, o que amplia esse superávit. Nesse ambiente, o etanol surge como válvula de ajuste, mas também enfrenta limites. Se aumentar a produção de etanol e diminuir a de açúcar, o preço do etanol cai.

O ano que vem deve ser mais complicado para preços, tanto de açúcar quanto de etanol. O quadro é agravado pelo baixo nível de fixação para a próxima safra. Tradicionalmente, as usinas entravam no ciclo com 70% a 80% da produção de açúcar travada. Agora, esse percentual caiu para 20% a 30%. As usinas estão menos fixadas que a média. E não é só no Brasil; é na América Latina e na Tailândia também. O posicionamento reflete uma aposta frustrada em recuperação de preços. Muitas esperaram uma alta que não veio. Com isso, a expectativa é de margens muito apertadas. O risco é vender tanto açúcar quanto etanol a preços baixos. As usinas flex, que são a maioria no Brasil, devem enfrentar margens bastante comprimidas. A estratégia mais provável é iniciar a safra com maior foco no etanol, aproveitando os preços mais elevados do início do ciclo, e buscar oportunidades de venda de açúcar mais adiante. As usinas devem apostar mais no etanol no começo e vender açúcar no spot quando o etanol começar a perder força.

Um fator adicional de incerteza é o avanço do etanol de milho, que passa a competir diretamente com o etanol de cana-de-açúcar. No passado, quando as usinas aumentavam a produção de etanol, não havia esse competidor. Agora há. Essa dinâmica é inédita; não há histórico para saber exatamente como vai se comportar. Na safra atual, o etanol de cana-de-açúcar caia cerca de 10%, compensado por um aumento de 16% no etanol de milho. Para 2026/2027, o etanol de cana-de-açúcar deve crescer 8% e o de milho quase 13%, levando a um avanço próximo de 10% no total. Há várias inaugurações no fim deste ano e no começo do próximo. Assim, a interação entre maior produção de etanol de cana-de-açúcar, motivada pelos preços relativos ao açúcar, e a oferta crescente de etanol de milho cria uma incógnita adicional para 2026. As usinas de cana-de-açúcar e de milho disputarão o mesmo mercado consumidor, num ambiente já marcado por abundância de oferta e margens comprimidas. Isso aumenta a oferta total e deve pressionar os preços do etanol. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.