06/Jan/2026
O plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconstruir a indústria petroleira da Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro enfrenta obstáculos que começam dentro de casa e se estendem ao país latino, detentor das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. O futuro do petróleo venezuelano está à mercê de estabilidade política, clareza regulatória e capital de risco disposto a esperar anos pelo retorno e, por ora, os desdobramentos na Venezuela serão medidos mais pelo calor geopolítico que gerou do que por barris adicionais no mercado. A Venezuela é dona das maiores reservas de petróleo do planeta, com cerca de 300 bilhões de barris ainda não explorados, superando até a Arábia Saudita, número 1 do mundo, conforme o Energy Institute. Apesar disso, ocupa apenas a posição de 18º maior produtor do mundo, gerando em torno de 1 mil barris por dia (mbpd), ou apenas 1% do total global.
Na década de 1970, a Venezuela produzia cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia, ou 8% da oferta global. Dentre os desafios para tornar o petróleo venezuelano mais pujante, estão as incertezas no país após a queda de Maduro. Segundo o think tank Atlantic Council, é improvável que algumas empresas norte-americanas retornem ao país enquanto não houver um regime jurídico e fiscal confiável e uma situação de segurança estável. As petroleiras norte-americanas com operações na Venezuela são muito mais propensas a revivê-las e expandi-las se o ambiente for "seguro". As companhias dos Estados Unidos deixaram o país com a nacionalização da indústria petrolífera local em 1976. Atualmente, somente a norte-americana Chevron mantém operações em Caracas. Para a Capital Economics, em teoria, a Venezuela poderia novamente se tornar um grande produtor. Mas, teoria e realidade divergem acentuadamente.
Trump afirmou no sábado (03/01), que enviará as grandes empresas norte-americanas para reconstruir a indústria petroleira da Venezuela. Mais de 24 horas após a ofensiva dos Estados Unidos em território venezuelano, as principais petrolíferas norte-americanas não se pronunciaram sobre a situação em Caracas. Segundo o britânico The Guardian, a ExxonMobil recusou pedidos de comentários, enquanto a ConocoPhillips mencionou que é prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais ou investimentos futuros. A Chevron, única empresa norte-americana que segue operando na Venezuela, mencionou que continua focada na segurança e no bem-estar de seus funcionários, bem como na integridade de seus ativos. A Capital Economics calcula que, mesmo se a produção de petróleo na Venezuela for restaurada com sucesso aos níveis vistos há uma década (cerca de 3 mil barris por dia), isso adicionaria apenas cerca de 2% à oferta global da commodity.
Para a consultoria, o crescimento da oferta mundial em 2026 deve empurrar os preços da commodity para baixo, a US$ 50,00 por barril. Na sexta-feira (02/01), antes do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, o petróleo fechou em baixa, com investidores avaliando um possível excesso na oferta da commodity às vésperas da reunião mensal dos integrantes da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), no domingo (04/01). O WTI para fevereiro, negociado nos Estados Unidos, fechou em queda de 0,17% (US$ 0,10), a US$ 57,32 por barril. A Opep+ informou que os oito países participantes reafirmaram a decisão feita em novembro de 2025 de pausar os incrementos de produção do petróleo em janeiro, fevereiro e março de 2026 devido à sazonalidade. A situação na Venezuela não foi mencionada pela organização. Os eventos do fim de semana não teriam alterado a posição da Opep+.
É altamente incerto como a administração dos Estados Unidos abordará as exportações de petróleo e a gestão dessas receitas. Um caminho é permitir que a Venezuela exporte, expanda o licenciamento e venda petróleo a preços de mercado. Essas receitas poderiam ser enviadas para uma conta bloqueada em benefício de um novo governo venezuelano. Trump disse que a riqueza extraída vai para o povo da Venezuela, os que moram dentro e fora do país, mas também vai para os Estados Unidos na forma de reembolso pelos danos de bilhões de dólares causados. Segundo ele, a Venezuela "unilateralmente apreendeu e vendeu petróleo, ativos e plataformas norte-americanas". O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou, no domingo (04/01), que o petróleo segue sendo crucial para o futuro da Venezuela, mas a indústria petrolífera venezuelana está falida.
Segundo o secretário, o país sul-americano não tem capacidade para reerguer essa indústria e, por isso, precisa de investimento de empresas privadas, que só investirão sob certas garantias e condições. Para o Price Futures Group, caso os Estados Unidos consigam colocar em prática seu plano para a Venezuela, pode haver "muito otimismo" de que as petroleiras norte-americanas entrem e revitalizem a indústria doméstica rapidamente. Se a Venezuela conseguir se tornar uma potência na produção de petróleo, isso pode consolidar preços mais baixos a longo prazo e pressionar ainda mais a Rússia. Trump disse que os Estados Unidos têm interesse em vender petróleo à Rússia quando “as coisas se estabilizarem”, e para outros países. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.