05/Jan/2026
O mercado global de açúcar caminha para um cenário de oferta mais folgada ao longo da safra 2026/27. No Brasil, maior produtor e exportador mundial, a expectativa é de avanço na moagem de cana na região Centro-Sul, sustentada pela recuperação das chuvas no final de 2025, expansão moderada da área e condições climáticas próximas da média histórica. A produção total de cana pode superar 620 milhões de toneladas, ampliando o potencial de oferta de açúcar, embora o rendimento agrícola dependa das precipitações durante o verão.
O aumento da moagem não implica necessariamente forte incremento na produção de açúcar. O ambiente global projeta superávit de 1,6 a 10,5 milhões de toneladas, com boa disponibilidade nos principais países produtores, o que leva o setor a ajustar o mix entre açúcar e etanol conforme os preços relativos e a evolução da demanda interna pelo biocombustível. A mistura obrigatória de etanol anidro a 30% na gasolina, aliada à expansão da produção de etanol de milho, reforça o papel estratégico do biocombustível na definição do mix produtivo. Estima-se que entre 50% e 52% da cana seja destinada à produção de açúcar, resultando em produção nacional entre 41 e 44 milhões de toneladas, acima das 39,17 milhões de toneladas da safra 2025/26.
No mercado internacional, a perspectiva é de preços moderados, com o açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York podendo oscilar entre 15 e 20 centavos de dólar por libra-peso, refletindo estoques mais confortáveis, superávit global e competição entre exportadores. Eventos climáticos adversos, políticas de exportação de países como Índia e variações no preço do petróleo permanecem como fatores de influência para possíveis movimentos altistas. O consumo mundial deve crescer de forma gradual, cerca de 1,2% ao ano, impulsionado por economias emergentes da Ásia e África, enquanto países desenvolvidos tendem a reduzir o consumo per capita devido à substituição parcial por adoçantes alternativos.
Diante desse cenário, o setor sucroenergético brasileiro deve manter foco na flexibilidade operacional, eficiência industrial, sustentabilidade e logística, com decisões estratégicas dependentes do monitoramento constante de variáveis climáticas, políticas e macroeconômicas.
No Nordeste, a safra 2025/26 se estende até abril/maio de 2026, com produção estimada em 56,3 milhões de toneladas de cana, crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior, e produtividade média de 61.502 kg/ha, aumento de 1,5%. A mecanização segue baixa, mas em expansão, devendo alcançar 27% da colheita regional. Em Alagoas, a produção deve permanecer próxima à safra anterior, sustentada por maior produtividade e moagem ampliada, com volume estimado de 1,65 milhão de toneladas de açúcar, alta de 0,8%. Em Pernambuco, a produção deve crescer devido à maior área colhida, reativação industrial e chuvas regulares, favorecendo o desenvolvimento das lavouras, ainda que com possível menor concentração de açúcares. Na Paraíba, mesmo com ligeira redução da área, espera-se aumento de produção em função da maior produtividade e práticas agrícolas mais eficientes, com colheita predominantemente manual. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) mantém-se dentro da média histórica, com destinação equilibrada entre açúcar e etanol. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.