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05/Jan/2026

Etanol: maior oferta pressionará os preços em 2026

A entressafra 2025/26, que se estende de janeiro a março de 2026, ainda deve apresentar preços firmes para o etanol, sustentados pela demanda aquecida e pelos estoques relativamente menores na região Centro-Sul do Brasil. A temporada 2026/27, com início oficial em abril de 2026, deverá exigir atenção especial às cotações internacionais do açúcar e à expansão da produção de etanol, especialmente diante do risco de aumento da oferta acima do ritmo da demanda, gerando um ambiente de maior cautela para o setor.

O cenário projetado para o ciclo 2026/27 indica poucos vetores de sustentação para os preços do etanol, com possibilidade de pressão baixista decorrente do incremento da oferta. As estimativas preliminares apontam moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul em torno de 625 milhões de toneladas para a safra 2026/27.

No mercado de açúcar, a perspectiva é de superávit global, com maior disponibilidade do produto e aumento da participação vendedora, podendo enfraquecer as cotações externas do adoçante. Diante disso, as usinas brasileiras poderão ajustar o mix produtivo, destinando maior parcela da cana para a produção de etanol, o que tende a intensificar a pressão sobre os preços do biocombustível e a comprimir as margens do produtor.

Outro fator relevante é o comportamento do preço do petróleo, que recuou de patamares acima de US$ 100 por barril em 2022 para a faixa de US$ 60 a US$ 65 em 2025, com tendência ainda baixista devido ao aumento da produção global, especialmente de óleo não convencional. Projeções indicam equilíbrio entre oferta e demanda em 2026, embora um superávit global de aproximadamente 3,84 milhões de barris por dia possa ocorrer, o que, se confirmado, tende a pressionar os preços do etanol frente à gasolina.

O etanol de milho apresenta trajetória de crescimento consolidada, com expansão na safra 2025/26 e expectativa de participação crescente no total de etanol produzido. Os investimentos no segmento permanecem robustos, reforçando a disponibilidade do biocombustível no mercado.

Em um cenário mais favorável, reajustes da gasolina a partir de janeiro de 2026 podem tornar o etanol hidratado mais competitivo frente ao combustível fóssil, melhorando a paridade energética. No entanto, a combinação de maior oferta de etanol de cana e milho e preços do petróleo com viés baixista tende a limitar a sustentação dos valores de comercialização do biocombustível na região Centro-Sul. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.